domingo, 13 de março de 2016

A direita está na rua. E vamos deixar o povo fora dela?

viver


Por Fernando Brito do Tijolaço

Seja ou não com o estímulo de uma UDN de toga e de uma massa de propaganda midiática jamais vista, o fato é que a a classe média, tão acariciada pelos governos petistas, destila seu ódio nas ruas.

Não é novidade e os prédios de Copacabana já envergaram faixas iguais em 1964.

Se o mundo é muito menos propício a golpes de estado que então, é igualmente verdade que ambas – a classe média e a máquina de propaganda do sistema- também chegam ao Brasil profundo e às periferias.

E não pode ser respondida com omissões e concessões.

Infelizmente, porque seria melhor um quadro de paz institucional do que o confronto que estamos assistindo.

Mas o que está criado não será dissolvido com apelos à pacificação, porque não há pacificação no horizonte próximo, embora isso não queira dizer, ao contrário, que se devam aceitar conflitos e provocações.

Vimos, semana passada, o poder da aparição indignada de Lula.

A direita apressou-se em dizer que ele provocava e sua manifestação foi usada até pelos aloprados do MP paulista como motivo de sua prisão.

É só que pode deter esta onda, ainda mais que temos um governo paralisado e temeroso de tudo, mais ocupado em discutir o “longo prazo” de uma reforma da previdência para acalmar o mercado do que com o preço do tomate no mercado, para acalmar o povo.

Não há mais como evitar o agravamento da crise apenas pelo diálogo dos políticos ou pela moderação – que nunca vem – do aparelho judicial.

Será preciso deter com a mobilização de massa o avanço da loucura autoritária.

Se isso não for entendido e – mais importante – não for enfrentado, o Brasil pagará com a democracia por nossa covardia.