quinta-feira, 10 de março de 2016

Até a oposição teme segurar o lixo produzido pelo MP ao pedir a prisão de Lula

ENGELS

Como se afirmou antes aqui, o pedido de prisão preventiva de Lula é uma excrescência, um verdadeiro lixo jurídico, que não sobreviverá ao primeiro exame que tiver – e recomenda-se a quem o faça tapar o nariz – das instâncias judiciais, a menos que – ninguém pode crer nisso – sua distribuição não siga o rito normal.

Carlos Sampaio, líder do PSDB, e Agripino Maia, do DEM, reconhecem que ele é “frágil”.

Não é, é sórdido, anticonstitucional e só se presta como panfleto para insuflar as manifestações de domingo.

É caso de procedimento disciplinar contra os promotores ensandecidos que a propuseram.

E, prosperando, é caso para encandalizar o mundo, com a redução do Brasil ao status de país com golpes paraguaios.

O que é impensável, em escala mundial, por evidentemente sermos maiores – não no sentido moral de parte das elites, ao Paraguai.

Das duas uma: ou este golpe prevalecerá, reduzindo o Brasil a uma memória “da roça” da primeira metade do século 20 ou o Judiciário brasileiro terá de encarar seriamente o fato de que qualquer energúmeno que cita”Marx e Hegel”, trocando o nome do co-ideólogo do marxismo Friedrich Engels com o do filósofo alemão por ambos criticado, possa fazê-lo para justificar o encarceramento de pessoas.

Em poucas horas, viraram chacota mundial até no Twitter.

Pena não terem citado a peladona da Unidos do Peruche como exemplo do “clamor popular” pela prisão do Lula.

Mas não pensem que chegamos a isso por conta dos microcéfalos pré-zika, não.

É a pseudoelite brasileira, que controla os meios de comunicação e seus dóceis rapazes que nos levaram à vergonha de que o país se abale com “juristas” de caricatura.

O Brasil está envergonhado diante do mundo, porque corrupção pode acontecer e acontece em quase todos os países e neles merece, como merece aqui, punição e correções.

Mas imbecilidades autodestrutivas, não.

E é isso o que a mídia vem fazendo, ao permitir que imbecis se tornem a pauda das discussões nacionais.

Se falam grosso e alto, a eles o conto de Monteiro Lobato:

O BURRO JUIZ

Disputava a gralha com o sabiá, afirmando que a sua voz valia a dele. Como as outras aves rissem daquela pretensão, a bulhenta matraca de penas, furiosa, disse:

– Nada de brincadeiras. Isto é uma questão muito séria, que deve ser decidida por um juiz. Canta o sabiá, canto eu, e a sentença do julgador decidirá quem é o melhor artista. Topam? – Topamos! piaram as aves. Mas quem servirá de juiz?

Estavam a debater este ponto, quando zurrou um burro.

– Nem de encomenda! exclamou a gralha. Está lá um juiz de primeiríssima para julgamento de música, pois nenhum animal possui maiores orelhas. Convidê-mo-lo. Aceitou o burro o juizado e veio postar-se no centro da roda.

– Vamos lá, comecem! ordenou ele.

O sabiá deu um pulinho, abriu o bico e cantou. Cantou como só cantam sabiás, garganteando os trinos mais melodiosos e límpidos. Uma pura maravilha, que deixou mergulhado em êxtase o auditório em peso.

– Agora eu! disse a gralha, dando um passo à frente.

E abrindo a bicanca matraqueou uma grita de romper os ouvidos aos próprios surdos.Terminada a justa, o meritíssimo juiz deu a sentença:

– Dou ganho de causa à excelentíssima senhora dona Gralha, porque canta muito mais forte que mestre sabiá.

Moral da História:

Quem burro nasce, togado ou não, burro morre.

Do Tijolaço