segunda-feira, 21 de março de 2016

Cinco jornalistas são presos sob suspeita de extorsão no Centro-Oeste

Os cinco, segundo a polícia, pediam de R$ 100 mil a R$ 300 mil para não divulgar, nos veículos em que atuavam, notícias de supostas irregularidades em contratos.

Folha de São Paulo


Cinco jornalistas foram presos em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal sob suspeita de extorquir autoridades e empresários com contratos com a administração pública. Um auditor fiscal da Prefeitura de Cuiabá (MT) também foi detido.

Os cinco, segundo a polícia, pediam de R$ 100 mil a R$ 300 mil para não divulgar, nos veículos em que atuavam, notícias de supostas irregularidades em contratos.

As prisões ocorreram no dia 12, durante a operação “Liberdade de Extorsão”, coordenada pela Defaz (Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública). O inquérito deve ser concluído nesta segunda (21), pela Polícia Civil de Mato Grosso.

Os seis mandados de prisão –quatro preventivas e duas temporárias– foram expedidos pela Vara Especializada do Crime Organizado de Cuiabá.

Segundo a Polícia Civil, quatro jornalistas detidos preventivamente são do Grupo Milas Comunicação, que administra os veículos “Centro­Oeste Popular”, “Notícias Max” e “Brasil Notícias”.

Antônio Carlos Milas de Oliveira, dono do “Centro­Oeste Popular”, foi detido em Nossa Senhora do Livramento (MT). Seus filhos Max Feitosa Milas, do “Notícias Max”, e Maycon Feitosa Milas, foram presos em Cuiabá (MT) e em Campo Grande (MS), respectivamente. O editor­chefe do “Brasil Notícias”, Naedson Martins da Silva, foi detido em Brasília (DF).

A polícia encontrou munições de diversos calibres na fazenda de Antônio Carlos e na casa e na empresa de seu filho Max. Outro jornalista, Antônio Peres Pacheco, teve prisão temporária decretada e foi detido em Cuiabá. Foi preso temporariamente, no mesmo dia, o auditor fiscal Walmir Correa, da Prefeitura de Cuiabá, sob a suspeita de vazar informações da administração para as extorsões atribuídas aos jornalistas.

O volume financeiro movimentado pelo suposto esquema não foi revelado, assim como nomes de políticos e empresários vítimas do grupo.

O grupo agia, segundo a polícia, havia alguns anos, e o valor cobrado das vítimas variava conforme as condições financeiras de cada uma. Ainda segundo a investigação, das empresas os jornalistas acessavam dados sigilosos da base do ISS (Imposto Sobre Serviços) da prefeitura com login e senha de servidores públicos.