segunda-feira, 4 de abril de 2016

É hora de trocar o técnico



Por Tostão/Médico/Ex-Jogador de Futebol

Parabéns à repórter Gabriela Moreira, da ESPN Brasil, pela matéria investigativa sobre a influência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

Ninguém é ingênuo, purista, para acreditar, ou pelo menos não desconfiar, ainda mais neste momento pelo qual passa a CBF e o país, que foi coincidência a seleção brasileira ter se hospedado no hotel do qual o ex-jogador Lúcio é um dos sócios e, ao mesmo tempo, a CBF convidá-lo para ser o auxiliar pontual nas duas últimas partidas. Não estamos na Noruega. O coordenador Gilmar Rinaldi, em vez de contar a vantagem de que manteria o convite mesmo se soubesse da ligação entre Lúcio e o hotel, deveria evitar insinuações e desconfianças.

Além disso, a confederação da Noruega, por excesso de cuidado e por conhecer as fraquezas humanas, não convidaria para diretor de sua seleção alguém que era empresário de atletas, mesmo que interrompesse sua atividade.

Os resultados e as atuações da seleção nos seis primeiros jogos pelas eliminatórias foram os esperados. Poderia ser pior, já que o Brasil não mereceu o empate com a Argentina e empatou com o Paraguai no último minuto.

Além das habituais deficiências individuais e coletivas que conhecemos, ficou ainda mais evidente, contra Uruguai e Paraguai, a irregularidade da seleção e do futebol brasileiro, por dependerem demais de certos espasmos e de lances individuais e isolados.

A seleção e as equipes brasileiras, com algumas exceções, há décadas, não sabem atuar coletivamente. Além do hábito de jogar por estocadas e lances esporádicos, não há um excepcional meio-campista para fazer a transição, a troca de passes, entre a defesa e o ataque.

Essa falta é decorrente da estratégia ou a ausência de craques no meio-campo faz com que o time jogue dessa forma? As duas coisas.

Dunga não é o responsável por isso, mas ele não faz nada para a seleção evoluir, embora, no segundo tempo contra o Paraguai, ele tenha agido bem, ao trocar os volantes por um meia e um atacante, quando percebeu que o adversário foi todo para a defesa. Era também óbvio. O time reagiu, com garra. Dizer que falta comprometimento aos jogadores é fazer média com o torcedor, que adora essa crítica, sempre que a seleção joga mal.

É necessário criar mudanças táticas e individuais. O perigo, quando se muda, é ficar ainda pior. Por causa da reação contra o Paraguai, na última terça-feira (29), uma situação circunstancial, alguns comentaristas já pedem o meio-campo com Renato Augusto, Philippe Coutinho e Lucas Lima. Querem afundar mais ainda a seleção.

É essencial ter um volante, pelo centro, que marque e que tenha um excelente passe. Não temos esse jogador, mas existem outras opções, como Casemiro.

Apesar da incerteza de que a seleção melhoraria com um novo técnico, está na hora de Dunga e de Gilmar Rinaldi saírem, desde que o técnico seja Tite, mesmo com seu "titês". Não pode ser qualquer um. Tite se preparou para isso.

Tite deveria assumir imediatamente, com urgência.

É muito difícil, mas é preciso vencer e, ao mesmo tempo, iniciar um novo futuro para o time brasileiro. Futuro não é destino. Futuro é o que será construído.