segunda-feira, 11 de abril de 2016

LULA A GREENWALD: QUEREM IMPEDIR QUE EU VOLTE

Ricardo Stuckert/Instituto Lula:

Em entrevista ao jornalista Glenn Greenwald, do site The Interceptor, ex-presidente Lula condenou a posição do vice Michel Temer e da oposição contra a presidente Dilma; "Não encurtei o caminho, esperei 12 anos para chegar à presidência da República"; ele também criticou a "pirotecnia" em torno da Lava Jato e o vazamento seletivo de trechos das delações; "Quando sai uma denúncia de um outro partido político, não passa de uma letra pequena nos jornais, cinco segundos na televisão. Quando é uma coisa contra o PT, é 20 minutos na televisão e é primeira página de todos os jornais, numa demonstração clara e visível de que há a tentativa, há dois anos, da criminalização contra o PT"; pesquisa Datafolha deste fim de semana apontou o ex-presidente Lula em primeiro lugar, ao lado de Marina Silva

247 - Em entrevista ao jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o que classificou como uma "tentativa de criminalizar o PT, de tirar a Dilma e de tentar evitar qualquer possibilidade do Lula voltar a ser candidato a presidente neste país". Lula também condenou, de forma velada, o vice-presidente Michel Temer e os partidos de oposição que defendem o impeachment ou a renúncia da presidente Dilma Rousseff. "

Eu perdi três eleições, três. Não encurtei o caminho, esperei 12 anos para chegar à presidência da República."Portanto, qualquer pessoa que quiser chegar à presidência da República, ao invés de querer derrubar o presidente, é melhor concorrer a uma eleição como eu concorri três. Perdi e não fiquei zangado", disse Lula.

Greenwald ficou conhecido após divulgar as primeiras informações sobre os programas de vigilância em nível mundial desenvolvidos pela Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, em 2013, com base em documentos fornecidos por Edward Snowden.

Lula destacou, ainda, que no Caso da Operação Lava Jato – que investiga casos de corrupção e desvios na Petrobras - que as instituições estão funcionando "corretamente". "O Governo e eu pessoalmente não temos que ficar zangados com o processo de investigação, porque o governo tem muita responsabilidade pelo o que está acontecendo. Ou seja, foi exatamente no governo do PT que nós criamos todas as condições para as instituições funcionarem corretamente", afirmou.

"Então o governo tem responsabilidade por tudo o que está acontecendo, em primeiro lugar. Em segundo lugar, eu acho importante que, pela primeira vez, rico esteja sendo preso. Porque aqui no Brasil prendia-se um pobre porque roubava pão, mas não prendia-se um rico que roubava 1 bilhão. Prendia-se um pobre porque roubava remédio, mas não prendia um cidadão rico que sonegava imposto de renda", completou.

Mas, apesar dos elogios, ele criticou a "pirotecnia" em torno da Lava Jato e o vazamento seletivo de trechos das delações premiadas de muitos dos investigados. "Se o PT comete erros, o PT tem que pagar como qualquer outro partido político tem que pagar ou como qualquer outra pessoa que não pertença a partido político, afinal de contas, a lei é para todos, é assim que a gente consolida a democracia no Brasil e em qualquer parte do mundo", afirmou.

"O que eu acho esquisito é o processo de vazamento seletivo das notícias normalmente contra o PT. Quando sai uma denúncia de um outro partido político, não passa de uma letra pequena nos jornais, cinco segundos na televisão. Quando é uma coisa contra o PT, é 20 minutos na televisão e é primeira página de todos os jornais, numa demonstração clara e visível de que há a tentativa, há dois anos, da criminalização contra o PT", disparou.