sexta-feira, 29 de abril de 2016

Silas Mafafaia “abençoa” o traidor, como ele, Michel Temer




Por Dom Orvandil/Bispo Anglicano/Professor Universitário

Caro jovem Gabriel Ferreira

Obrigado por seguir este blog.

O conspirador e traidor Michel Temer abriu espaço na sua golpista agenda para receber, na quarta feira, seu comparsa da área “evangélica” Silas Malafaia.

O pastor analfabeto Everaldo (aquele que diz estrupo), presidente do partido todo partido da sociedade brasileira “social” “cristão”, informou à mídia golpista que o autointitulado “pastor” Malafaia “… desejou que Deus dê sabedoria ao vice-presidente para que ele dirija a nação para tirá-la do fundo do poço”.

A frase interpreta bem o conteúdo da oração gritada, cheia de berros de aleluias e de mãos estilo saudação nazista estendidas sobre o traidor Temer.

Malafaia “desejou”. O que ele desejou, no fundo? Que Deus – o deus dele, claro – dê sabedoria – a sabedoria dele, claro – para que o vice presidente – eis o auto falho do analfabeto. Se é vice como dirigirá a nação se não por traição e golpe? – Para tirá-lo do fundo do poço – que poço?

Já escrevi aqui que o deus de pessoas neofascistas como Silas Malafaia não tem nenhuma relação com o Deus de Jesus, o Galileu.

O deus de quem Malafaia invocou a bênção para o traidor é uma caricatura feita à imagem e semelhança da mediocridade, estupidez, fascismo e discriminação do autointitulado “pastor”, frequentador das mesas dos ricos, poderosos e golpistas.

Um ex amigo meu, membro da Assembleia de Deus, me confabulou de fonte segura que Malafaia cortejou a candidata Dilma em 2010 implorando dela um canal de TV em troca de votos. Quando a candidata negou receber apoio em troca do uso do Estado para negócios do dito religioso o gritão se rebelou e passou a fazer campanha, primeiro para a missionária Marina e depois para o homem da bolinha de papel, José Serra, o entreguista. Em 2014 o gritão apoiou Marina e depois Aécio, no segundo turno, com discursos desrespeitosos, agressivos e violentos contra Lula e Dilma.

Agora, sem o menor interesse no Brasil, na situação de crise porque passa nosso povo, o oportunista imoral se aproxima do conspirador com objetivos mesquinhos.

A sabedoria que ele pede ao golpista não tem nenhuma intimidade com a “sofia” da língua grega, que significa degustação, que é articulação entre a construção do conhecimento e sua aplicação à prática.

A tal de sabedoria que o falsário religioso deseja ao golpista é a do afastamento do povo, da justiça social, das políticas sociais inclusivas, dignificando os pobres, os negros, os indígenas, os homossexuais com possibilidades do afeto na criação de novo modelo de família.

As pessoas sofridas e golpeadas pela miséria e pobreza, fenômenos causados pela concentração de renda e de riquezas, são o fundo do poço a que se referem os fariseus Everaldo e Malafaia. A baixa nos dízimos antes polpudos dados por iludidos e pelos bancos nas transações que os donos de igrejas, de tvs, de rádios, de aviões, de editoras e de jornais fazem, tudo em nome de Jesus, os apavora e os ameaça com a ideia de ter que trabalhar. Isso também é o fundo do poço para eles.

A tal de sabedoria farisaica malafaiana é o apoio para que os golpistas aprovem no Congresso o Estatuto da Família, sublinhado de preconceitos contra casamentos gays, desprezando também o conceito de família uniparental, composta por homens e mulheres solteiros/as, por idosos/as que ajudam netos/as pobres a estudar e também por casais gays.

Esse é o deus malafaiano, que exclui, pune, despreza e destrói os diferentes.

Este deus da “sabedoria” da bênção do fariseu ao golpista é uma múmia capaz de inspirar seus adeptos a julgar à margem da lei, da ética, do humanismo e da justiça social a todos que eles condenam como pecadores e capetas.

O deus deles mataria Jesus como o fizeram seus padroeiros fariseus, que colaboraram com o império romano no arranjo de condenações sem base e depois na crucificação do justo e do inocente.

Esse deus marginal e criminoso é uma projeção perfeita de Malafaia, muito apaixonado pelas ofertas e dízimos gordos arrancados emocionalmente de pessoas que acreditam que aquilo seja honesto. Quando oram, gritam, esperneiam, pulam e dão glórias é porque são movidos pelo mesmo ânimo dos donos dos bancos rentistas, entupidos com o dinheiro roubado das vidas dos que trabalham.

Portanto, a bênção que Malafaia, aos gritos, impetrou sobre Temer é a maldição para a democracia, para a justiça social, para os avanços nos direitos humanos e na afirmação do Estado laico, sem a intromissão desses supersticiosos, manipuladores, oportunistas que querem vantagens com o golpe de Estado.

Os “pastores” Everaldo e Malafaia, sem dúvidas, abençoariam Judas e ainda lhe pediram o dízimo das 30 moedas que ganhou na traição a Jesus.

Xô com esse deus capeta e fora com essa bênção maldição!