terça-feira, 19 de abril de 2016

Um político com as qualificações do ex-governador Jackson Lago vive de legado e não de oportunismos e falta de princípios



Por Emerson Araújo 

Tenho acompanhado nas últimas horas a citação do nome do ex-governador do Maranhão Jackson Lago para justificar o voto “sim” na farsa montada pelos golpistas Temer-Cunha-PSDB para impedir a continuidade do mandato da Presidente Dilma Rousseff por alguns parlamentares do Maranhão.

A nota triste destas manifestações seja em artigos apócrifos pagos em veículos da comunicação maranhenses confessadamente golpistas ou/e nas páginas das principais redes sociais, tentando injetar justificativas incabíveis e recheadas de mau caratismo político ao menos informados e o que é mais grave usando o nome de um defunto que teve a vida movida pelo legado da democracia, da constituição, da legalidade e da liberdade como foi o ex-governador Jackson Lago um brizolista de princípios éticos acima de qualquer coisa. Deve-se, ainda, lembrar de que o ex-governador do Maranhão Jackson Lago sempre esteve apenas de um lado no universo político/ideológico ao longo da vida, ou seja, ao do trabalhismo de Leonel Brizola, Neiva Moreira, Chico Leitoa,   Darcy Ribeiro, Alceu Colares, Abdias do Nascimento, Roberto Saturnino e João Goulart e sofreu perseguições na época da ditadura e da influência nefasta da oligarquia Sarney depois, inclusive sob as bênçãos de quem tentou macular a sua biografia no último domingo votando contra a democracia e a favor do golpe, unindo-se aos golpistas corruptos, alçando indevidamente o nome do ex-governador e trair de maneira vil a confiança do atual Flávio Dino.

Não é mais motivo de pressuposto teórico afirmar que a atividade política no país hoje se tornou uma aberração em todos os sentidos e a marca disso foi consolidada no último domingo com o festival sucessivo de traições à Democracia, a legalidade e a liberdade por uma parte de deputados federais maranhenses, inclusive 03(três) deles (Zé Reinaldo Tavares e João Castelo, ex-sarneisistas que sonham voltar a casa política do velho oligarca e a neosarneisista Eliziane Gama) fazem parte da coalizão política em torno do Governo Flávio Dino e isso se tornou grave e acendeu a luz vermelha para 2018 no Estado porque acabaram de ajudar a oxigenar politicamente a oligarquia Sarney e seus asseclas. Lembre-se que o deputado Zé Reinaldo Tavares no primeiro ano de governo do Sr. Dino propôs a aproximação do atual gestor maranhense com o grupo político do ex-presidente, o que nos pareceu uma distorção ideológica absurda para quem acreditou na mudança em 2014, diga-se de passagem.

Mas voltemos ao ex-governador Jackson Lago e o voto da traição contra o seu legado e princípio no domingo último (17), mesmo reconhecendo que o PT e Lula sempre erraram politicamente no Maranhão com as alianças com Sarney e sua família, nada se justificaria votar contra Dilma Rousseff e o seu mandato, legitimamente conseguido em eleições limpas em 2014, nem mesmo o sentimento de vingança por conta de perseguições e outras coisas menores que infelizmente modula ainda o mundo da política, na verdade não justificariam, nesta hora, o voto de traição contra a democracia usando o nome de um democrata histórico como foi Jackson. É neste clima de decepção que a palavra de um traidor na política não merece crédito, não merece nada.