sábado, 28 de maio de 2016

O patético Sarney




Por Fernando Brito/Tijolaço

O Brizola tinha dificilmente deixava de falar a palavra energúmeno quando ia se referir a José Sarney. Tinha razão.

As revelações das supostas “confissões emocionais” de Lula, que ele narra nas suas conversas de “cerca-lourenço” com o delator Sérgio Machado, querendo se passar por “confidente” do ex-presidente petista são daquelas de dar muita risada e mostrar o nível de boçalidade que um político mumificado chega para atribuir-se importância.

Esta história da declaração de Sarney de que Lula, chorando, confidenciou-lhe estar “arrependido” da eleição de Dilma entra com capítulo da vaidade invernal do maranhense.

Sarney já não representa mais nada, nem mesmo dentro das articulações convencionais da política. Pode até ser ouvido com reverência, por quem presta reverência a gente do seu naipe. Mas não é mais confidente de nada, até porque já não se confia – e as gravações de Machado o provam – de ficar de boca fechada.

Alguém consegue imaginar o Lula chorando e Sarney se aproximando, carinhoso:

-Ô, Lula, que é que foi?

-É aquela mulher, tio. Fiz tudo por ela, fui eu quem a escolhi e agora ela não me dá bola hora nenhuma…

-A dona Mariza?

-Não, Sarna, claro que não. A galega é gente fina…Tô falando da Dilma…

-Liga não, mulher é assim mesmo, só quer usar a gente, depois abandona, nem liga, não manda flores, não telefona…

Lula pode e até deve ter, provavelmente, suas questões com Dilma. Aliás, qual de nós não teve, neste segundo mandato, quando ela deixou Joaquim Levy praticar o contrário da política que apresentamos ao povo brasileiro.

Nem mesmo excluo que tenha dito uma vez ou outra algo mais queixoso e impaciente, porque até em família a gente faz isso.

Mas com Sarney?

Tenha santa paciência. Julguem mal o Lula, mas não achem que ele é um imbecil.

Sarney, claro, está se pondo como “confessor” de Lula porque cada um diz o que quer.

Não entra senão na longa conta das intrigas plantadas entre Lula e Dilma que já devem ter tido seus embates e lavagens de roupa-suja, claro.

Mas em casa.