segunda-feira, 30 de maio de 2016

O que falta para finalizar o golpe, por Jari da Rocha


Por Fernando Brito/Tijolaço

A finalização da operação-golpe depende do sucesso das próximas e decisivas jogadas.

Descaracterizar a Lava-jato como instrumento criado para derrubar definitivamente Dilma, prender Lula e inviabilizar o PT para as próximas eleições, cassando, inclusive, a sigla.

Estava dando tudo certo, até a foto oficial do novo governo. A imagem rodou o mundo.

Um projeto dessa magnitude, promover a destituição de um governo legitimamente eleito, seria inviável sem o bombardeio midiático recheado de matérias ardilosamente preparadas.

A ideia era criar confusão mental capaz de fazer crer que, justamente, o governo que mais beneficiou o povo necessitado foi o que mais roubou na história do país.

Foi a fórmula encontrada para desqualificar os avanços do país, invertendo completamente a realidade. E a crise veio a calhar.

Porém, o ruído da imprensa internacional, mesmo a mais tradicional como inglês The Economist e o alemão Die Zeit, foram causando desconforto a essa falsa credibilidade da imprensa nacional, que se vê, no momento mais crucial, desmentida e contrariada.

As tentativas de legitimar o governo interino foram caindo no vazio.

“O rombo (veja a proximidade de grafia e, principalmente, de pronúncia das palavras rombo e roubo) de 170 bilhões, causado pelo governo Dilma, acabou com o país”.

O objetivo do bombardeio era fazer as pessoas mais humildes escandalizarem-se com o montante de dinheiro que a presidenta ‘roubou’.

Mas isso era e foi pouco, mesmo manipulando números e adotando ‘novos’ critérios de análise. E como dar cabo da operação em meio a essa guerra de versões de legitimidade?

Bem provável que dando um novo “banho de loja” na operação Lava-jato.

Para isso, no entanto, “haver-se-ia” de sacrificar bispos, torres e cavalos. Significa dizer que o comando do plano se torna mais restrito e que nem todos se salvarão. O xeque-mate exige sacrifícios de peças dispensáveis.

Novos vazamentos.

Cansados de não ter argumentos contra a blindagem dos políticos partícipes do golpe, os defensores do impeachment poderão, a partir de agora, encher a boca. A justiça – finalmente, ufa! – é igual para todos, independentemente de partidos.

Curioso que, desta forma, grande parte dos ‘cidadãos de bem, apolíticos e apartidários’ será atendida em seus desejos mais nobres de justiça.

As novas gravações, envolvendo um número considerável de pessoas meticulosamente escolhidas para serem jogadas aos tubarões, atingem alguns dos mais representativos caciques da política, porém, ao mesmo tempo, desmoraliza o Supremo Tribunal a ponto de não ter alternativas senão negar qualquer recurso que possa garantir a defesa do mandato de Dilma e salvar Lula da cadeia.

As duas novas operações da Lava-jato, “Senatus” e “do Barba”, seriam as derradeiras?

Tudo leva a crer que o PSDB seria preservado, mesmo que tenha que jogar Aécio – e suas atuais poucas carnes – às piranhas, e Temer seria conduzido até 2018. No entanto, se algo der errado, o interino será jogado, sem cerimônias, no azeite quente.

Possivelmente veremos o descarte de peças até então protegidas, mas que, em caso de necessidade de preservar o núcleo duro, não serão poupadas. Lembra muito “O Poderoso Chefão” do Mário Puzo, porém, numa escala muito maior.

Uma nova eleição seria alternativa somente em caso de presidente interino frito, já sem os riscos do PT disputar.

Hoje, quase três meses depois da tentativa de prender Lula (em 4 de março), o cenário parece mais favorável para finalizarem o golpe.

O que falta, porém, é ainda combinar tudo isso com a população que já entendeu que qualquer coisa vinda dessa turma será engodo.

Tem uma peça que ainda não fecha.

Eles acreditam que, no caso de Lula ser preso, não haverá nenhuma revolta popular? Acreditam que poderão silenciar a mídia alternativa ou, até mesmo, expulsar os correspondentes internacionais indesejáveis, como supõe o editorial do Estadão?

Se sim, o que lhes dá tamanha segurança? A resposta pode estar na própria pergunta: segurança, reforçada, repressiva.

Ah, e sem esquecer: censura ampla, geral e irrestrita.