terça-feira, 31 de maio de 2016

Senador Paulo Paim: Diretas para presidente em outubro



Há uma incógnita no ar, que tem deixado todos com a pulga atrás da orelha. Será que depois das últimas revelações telefônicas o país chegou ao limite da imoralidade política e jurídica? Ou será que é a porta de entrada para desnudar o compadrio entre os principais atores dos consagrados poderes institucionalizados? Certo mesmo é que há muito tempo a população deixou de acreditar, e o que mais se ouve nas ruas é “estão brincando com a gente”.

Essa disputa de poder pelo poder, ânsia primitiva dos feudos, tem deixado cada vez mais o país paralisado em todos os sentidos e com fortes ares de fragmentação. Corrupção no DNA dos governos, partidos e setor privado como se fosse uma coisa natural. Uma economia que se retrai e coloca milhões de pessoas na humilhação do desemprego. Ações imediatistas conforme a banda passa e reformas que se avizinham como se fossem a salvação da lavoura. Perdeu-se o rumo de nação, foi-se o sentido de brasilidade.

O país precisa urgentemente dar respostas ao cenário de tintas borradas em que se transformou a aquarela nacional. Faz-se necessário uma consciência coletiva o quanto antes. É necessário reconhecer os erros, o fracasso e ter a grandeza de Ulysses Guimarães: “É preciso estar com a rua, e não somente na rua”. Pois são essas vozes silenciosas, de norte a sul, mas conscientes, que clamam o agir correto e justo não por coisas, mas por causas que, inquestionavelmente, farão a diferença na melhoria de vida de todos.

Apoio irrestrito à Operação Lava-Jato. Lugar de corrupto e corruptor é na cadeia. O dinheiro que eles roubam faz falta na saúde, na segurança pública, na educação das crianças e jovens, nas universidades, no saneamento básico, nas estradas para o escoamento da produção, no aumento do salário-mínimo e dos proventos dos aposentados e pensionistas, em projetos sociais, no investimento em ciência e tecnologia.

A crise que esfumaça o país é um conjunto de espúrias ações que levaram à perda de legitimidade dos eleitos e está nos conduzindo a um retrocesso de décadas.

Defendo eleições diretas (PEC 20/2016) para presidente da República em outubro deste ano, junto às eleições municipais. O eleito teria um mandato de dois anos, contados a partir de 1º de janeiro de 2017. A proposta não busca suspender os debates sobre o impeachment e, sim, seguir paralelamente a ele. Recentemente, o site do Senado Federal, através de consulta pública, revelou que 85% das pessoas (44.403) que responderam à enquete desejam a realização de novas eleições presidenciais. Apenas 8.861 se declararam contrários.

Já em 2017 seria realizado uma assembleia revisional (PEC 15/2016) com o objetivo de reformar o sistema político, eleitoral e partidário brasileiro. Os integrantes seriam eleitos pelo voto direto, admitidas candidaturas avulsas, e todos eles não poderiam concorrer nas eleições seguintes. Outros pré-requisitos: ser ficha limpa e não manter mandato parlamentar. Findados os trabalhos, a assembleia seria dissolvida, e um referendo seria realizado para validar a proposta, que estaria valendo para as eleições de 2018.

Cada um deve compreender seu papel e seus deveres dentro da democracia, como cidadão e homem público, ainda mais num tempo em que os acontecimentos são tão imediatos e que a cobrança por respostas mais concretas, pautadas em juízo de valor e não mais em dogmas, se faz urgente.