domingo, 26 de junho de 2016

CIRO: DILMA É HONRADA E MICHEL TEMER, UM DESASTRE

CHARLES SHOLL:

Ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco e da Integração Nacional no governo Lula dispara que o impeachment da presidente legitimamente eleita, sem crime de responsabilidade, é um golpe parlamentar: "Dilma é uma pessoa honrada e fiadora da democracia"; para o politico cearense, que não descarta disputar as eleições em 2018, o governo do vice interino conspira abertamente para entregar o Pré-Sal aos interesses estrangeiros: "É um crime contra as novas gerações do Brasil"; apesar da defesa contundente da presidente afastada, Ciro diz que é remota a chance de reversão do processo de afastamento no Senado; "Vivemos um itinerário de sandices, de irracionalidades, que fere de morte a jovem democracia do Brasil"

Renato Dias, especial para o Brasil247

- Michel Temer é um desastre completo!

Assim o ex-ministro da Fazenda à era Itamar Franco [1992-1994] e da Integração Nacional, nos tempos de Luiz Inácio Lula da Silva [PT-SP], ex-governador do Estado do Ceará, advogado e economista Ciro Gomes, ‘ex’ da bela atriz da Rede Globo de televisão Patrícia Pilar, define os 35 primeiros dias de interinidade do ‘golpista’ Michel Temer na Presidência da República.

- A crise irá se aprofundar se não interrompermos esse processo.

O líder do PDT [Partido Democrático Trabalhista], legenda presidida, hoje, por Carlos Lupi [RJ] e fundada pelo ‘velho caudilho’ Leonel de Moura Brizola, que comandou a ‘Cadeia da Legalidade’, em 1961, ao lado de Mauro Borges Teixeira, para garantir a posse do vice João Belchior Goulart, o Jango, com a renúncia de Jânio Quadros, ataca a Esplanada dos Ministérios.

- Um itinerário de sandices, de irracionalidades, que fere, de morte, a jovem democracia do Brasil!

Entrega do Pré-Sal

O dirigente trabalhista classifica como grave a medida de acabar com a destinação obrigatória de um porcentual para as áreas de Saúde e Educação. Mais: condena a aplicação de gordos recursos públicos para o pagamento dos juros da dívida. Gastos que servem para alimentar o sistema de agiotagem, o mais antissocial dos gastos, dispara o ‘enfant terrible’ de Pindamonhangaba [SP], radicado no Ceará.

- A entrega do Pré-Sal é um crime contra as novas gerações do Brasil.

Legalista, Ciro Gomes afirma que impeachment, sem crime de responsabilidade, é golpe. Um golpe parlamentar, dispara. A referência é ao impedimento da presidente da República reeleita em outubro de 2014 com mais de 54 milhões de votos válidos, a economista Dilma Rousseff, ex-guerrilheira da VAR-Palmares, entre 1969 e 1970.

- Impeachment, sem crime de responsabilidade, é golpe, sim!

A Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares, organização que adotou a estratégia de luta armada para derrubar a ditadura civil e militar e construir o socialismo no Brasil e na América Latina, surgiu, em 1969, após a fusão entre o Colina [Comandos de Libertação Nacional] e a VPR [Vanguarda Popular Revolucionária], de Onofre Pinto e do capitão Carlos Lamarca.

Votação no Senado

Segundo ele, a possibilidade política de vitória das esquerdas no Senado da República, na votação de agosto, é uma probabilidade pequena. “Mas nós devemos lutar para que isso ocorra”, atira. O ex-ministro faz côro às manifestações de rua da ‘Frente Brasil Popular’, integrada pela CUT e CTB, por exemplo, e a ‘Frente do Povo Sem Medo’, do MTST.

- Dilma Rousseff é uma pessoa honrada e é a fiadora da democracia.

Quem duvidar de que o impedimento de Dilma Rousseff trata-se de um golpe, veja a história de 1964, explica o economista. Em 1º de abril de 1964, o Renan Calheiros, presidente do Congresso Nacional à época, Auro Moura Andrade, declarou vaga a presidência da República com João Belchior Goulart ainda no exercício do mandato no País, recorda-se, indignado.

- Auro de Moura Andrade alegou que Jango havia se evadido do território nacional, o que serviu de base para novos desdobramentos.

Golpe de Estado

O que ocorreu?, pergunta Ciro Gomes. Deram posse, então, ao Eduardo Cunha daqueles tempos, Taniére Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, que convocou eleição indireta, para referendar o nome de Humberto Castello Branco, general, como o primeiro presidente da ditadura civil e militar, observa ele. Houve um golpe, em 1964, fuzila. Em 2016, também!, metralha.

- Existem identidades, sim, entre Honduras, 2009, Paraguai, 2012, e Brasil, 2016.

Não custa lembrar: nacionalista, Manuel Zelaya, em Honduras, no turbulento ano de 2009, foi deposto em um golpe supostamente constitucional. Já o presidente legítimo do Paraguai, em 2012, cristão progressista, Fernando Lugo, que havia acabado com a hegemonia de décadas & décadas de uma oligarquia corrupta, foi afastado do poder em apenas 48 horas. Sem direito à defesa.

- Impeachment, sem crime de responsabilidade, é golpe, sim!

Democracia em jogo

Ele admite que a gestão de Dilma Rousseff possuía baixa aprovação popular. Mas, não se trata disso, a questão é a defesa da democracia, explica. Qualquer brasileiro que tenha queixas do Governo Dilma Rousseff está coberto de razões, analisa. Um governo, generalizadamente, indefensável, insiste. Apesar disso, ela é uma pessoa honrada, completa.

- É a fiadora da democracia.

Não é interrompendo um governo eleito de forma legítima, devido a um desempenho ruim, que se construirá uma democracia saudável, pontua. Ciro Gomes desconversa sobre a sua eventual candidatura à Presidência da República nas eleições de 2018. É o partido [PDT] que irá decidir, sublinha. Sob os olhares de Carlos Lupi, presidente nacional da sigla trabalhista.

- O partido é que irá decidir. O partido é que irá decidir...

PDT em Goiás

Pragmático, ele também não quer entrar no conflito interno do PDT em Goiás. A deputada federal Flávia Morais e o ex-prefeito de Trindade e ex-deputado estadual George Morais, seu marido, perderam o controle da legenda. Flávia Morais desrespeitou a orientação nacional e votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados, em Brasília [DF].

- Carlos Lupi é quem fala sobre esse assunto...

O economista e advogado Ciro Gomes faz ainda uma análise sociológica. Segundo o pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto, Goiás é um Estado que integra a Região Centro-Oeste, mas carrega o Brasil nas costas, e que, apesar disso, é discriminado. Ele estava acompanhado de Carlos Lupi, da deputada federal Flávia Morais e do vereador do PDT em Goiânia, Paulinho Graus.