quarta-feira, 29 de junho de 2016

CONTRA TEMER, MOVIMENTOS FAZEM ‘TRANCAÇO’ NO MEC

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Ato que reúne profissionais da educação e integrantes de movimentos sociais denuncia o desmanche do Conselho Nacional de Educação, cujos titulares tinham mandato de quatro anos, pelo interino Michel Temer; desde as primeiras horas desta quarta-feira 29, grupo faz um 'trancaço' na sede do ministério; cerca de 80 pessoas estão dentro do prédio e outras 500 bloqueiam a entrada; o ministro interino, Mendonça Filho, e seus assessores foram impedidos de entrar no órgão; objetivo é protestar em defesa da educação pública e alertar o povo sobre os ataques do governo interino contra a educação com políticas de arrocho e sucateamento; segundo a CUT, durante o ato trabalhadores foram detidos e agredidos por seguranças e um está desaparecido; o MEC não era ocupado desde 2002;

Um ato que acontece desde as primeiras horas desta quarta-feira 29 na sede do Ministério da Educação impediu a entrada do ministro interino, Mendonça Filho, e seus assessores de entrar no prédio. Eles tiveram que se deslocar para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão vinculado à pasta. É a primeira vez que o MEC é ocupado desde 2002.

O 'trancaço' no MEC, em defesa da educação pública e contra o desmanche do Conselho Nacional de Educação, cujos titulares tinham mandato de quatro anos, pelo interino Michel Temer, reúne profissionais da educação e integrantes de movimentos sociais. Cerca de 80 pessoas estão dentro do prédio e outras 500 bloqueiam a entrada. Segundo a CUT, durante o ato trabalhadores foram detidos e agredidos por seguranças e um está desaparecido.

A manifestação, organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação e apoiada por diversas centrais sindicais e movimentos estudantis, ocorre no dia em que Mendonça Filho tenta criar uma agenda positiva para o ministério com o anúncio de verbas para a educação básica em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença de Temer.

Os manifestantes defendem o restabelecimento da democracia e o fim dos retrocessos na educação, anunciados pelo governo interino. O decreto com a revocação da nomeação de 12 conselheiros do CNE, assinado em conjunto com Mendonça Filho, foi publicado ontem (28) no Diário Oficial da União. Os conselheiros foram nomeados no dia 11 de maio, um dia antes do afastamento da presidente Dilma Rousseff.

"A independência dos 24 conselheiros do CNE é garantida por mandatos de quatro anos. Em abril, ainda ministro, Mercadante publicou a lista das 39 entidades civis de educação que haviam feito indicações. Dilma fez as indicações a partir da lista de indicados, embora pudesse sacar do bolso metade dos conselheiros. Por terem sido nomeados por ela, estão sendo todos exonerados, apesar do mandato. Dane-se o regimento do CNE", reagiu Tereza Cruvinel, ex-EBC e colunista do 247.

Em pouco mais de um mês à frente do ministério, Mendonça Filho já se reuniu com o ator Alexandre Frota e representantes do Revoltados Online e apoiou a pauta da escola sem partido. Ele também cortou 90 mil vagas no Fies, não assinou acordo com o Sistema S que resultaria em 1,4 milhão de vagas no Pronatec, cancelou banco nacional de diplomas e chegou a causar pânico quando disse que talvez não tivesse recursos para fazer o Enem 2016.

O ministro também teve o nome envolvido em suspeita de esquema de corrupção. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aponta suspeitas de pagamento de propina de R$ 100 mil, em 2014, para a campanha à reeleição de Mendonça para a Câmara dos Deputados.

Brasil 247