domingo, 12 de junho de 2016

Pastoral: As marcas do ministro cristão

Referência: 1 CORÍNTIOS 4:1-21

INTRODUÇÃO:

• No capítulo 1, Paulo fala sobre três aspectos do chamado cristão: fomos chamados para a santidade, para a comunhão de Cristo e para glorificarmos a Deus.

• No capítulo 2, Paulo fala sobre três aspectos do evangelho: foi planejado por Deus na eternidade, é centralizado na morte de Cristo e é aplicado pelo Espírito Santo.

• No capítulo 3, Paulo apresenta três figuras da igreja: ela é uma família, cujo alvo é a maturidade. Ela é um campo, cujo alvo é a quantidade e ela é um templo, cujo alvo é a qualidade. Para a família a Palavra é o alimento, para o campo é a semente e para o templo é o material de construção.
• No capítulo 4, Paulo apresenta três figuras sobre o ministro cristão. Ele é um mordomo que deve demonstrar fidelidade. Ele é um espetáculo para o momento que deve revelar humildade, e ele é um Pai que deve refletir doçura.

I. O MINISTRO É UM MORDOMO FIEL – V. 1-6

• Os coríntios estavam se concentrando em homens, prestando fidelidade a homens e não a Deus. Assim, estavam imitando o mundo. Paulo, então, ensina-os qual é o perfil do ministro cristão.

1. O ministro é um servo que trabalha sob as ordens do capitão – v. 1

• A palavra ministro no português não retrata o seu significado na língua grega. Ministro é um trabalho de primeiro escalão ou um líder que ocupa lugar de primazia na igreja. Mas a palavra que Paulo usa aqui é huperetas que significa o remador de galés. O ministro não é o chefe de um grupo, o dono da igreja ou capitão do navio, mas o escravo que obedece as ordens do capitão, remando no porão mais inferior dos grandes navios romanos. Os huperetas eram os escravos condenados à morte.

2. O ministro é um mordomo que obedece as ordens do seu senhor – v. 1

• Paulo usa a palavra oikonomos. O ministro é despenseiro, aquele que toma conta da casa do seu senhor (José do Egito). Em relação ao dono da casa ele era escravo. Em relação aos outros serviçais, ele era o superintendente. 
• Sua função era cuidar dos interesses do seu senhor. Ele cuidava da alimentação da casa: “Os mistérios de Deus é o evangelho, a Palavra de Deus”. 1) Não era sua função prover o alimento – Assim também, como ministros, não somos chamados para prover o alimento. O alimento já foi providenciado: é a Palavra de Deus. Não temos outro evangelho. Não temos outra mensagem. Não temos outro alimento. Ilustração: O perigo da morte na panela. 2) Não era sua função servir nenhum alimento que não tenha sido provido pelo senhor – Hoje não temos mais profetas nem apóstolos. Eles pregavam mensagens revelatórias. Nós devemos pregar mensagens expositivas. Não recebemos mensagens novas, mas damos ao povo o conteúdo da Palavra de Deus já revelada. O ministro não é um filósofo que cria a sua própria filosofia como Platão e Aristóteles. 3) Sua função era servir as mesas com integridade – O mordomo não pode: 3.1) Mudar o alimento; 3.2) Adulterar o alimento; 3.3) Acrescentar o alimento; 3.4) Reter o alimento.

3. A responsabilidade do ministro como mordomo é ser fiel ao seu senhor – v. 2

• A função do mordomo não era agradar às demais pessoas da casa nem muito menos aos outros servos, mas ao seu Senhor. 
• O papel do mordomo não é ser popular nem bem sucedido, mas fiel. O critério de Deus não é nem o sucesso nem a popularidade, mas a fidelidade. 1) Fiel ao seu senhor; 2) Fiel à sua missão: alimentar a família; 3) Fiel ao povo ao qual ministra, não lhes sonegando o evangelho.

4. Há três tipos de julgamento na vida do ministro como mordomo – v. 3-6

4.1. O julgamento dos homens – v. 3a – O julgamento dos homens não é o mais importante. Não estamos servindo a homens, mas a Cristo.

4.2. O julgamento da consciência – v. 3b-4 – Os filósofos gregos e romanos (Platão e Sêneca) consideravam a consciência como o juiz máximo do homem. Para Paulo, apenas Deus pode sê-lo. Nossa consciência não é totalmente confiável. Podemos ser justificados por ela e condenados por Deus. Algumas vezes, nós não nos conhecemos a nós mesmos.
4.3. O julgamento de Deus = v. 4b – O juízo de Deus é final, porque só Deus conhece: 1) Todas as circunstâncias; 2) Todas as motivações.

5. Há três tipos de repreensões à igreja em relação aos ministros – v. 5-6

5.1. Julgar os servos de Deus no tempo errado – v. 5 – Somente na segunda vinda de Cristo o julgamento será final e completo, porque só ele conhece o coração e a motivação das pessoas. Ele julga não pela aparência, porque ele vê o coração (1 Samuel 16:7).

5.2. Julgar os servos de Deus pelo critério errado – v. 6 – Os coríntios estavam julgamento Paulo, Apolo, Pedro por suas preferências e preconceitos. A única base de avaliação é a Palavra de Deus e não nossas opiniões. Não superestime os ministros além da medida das Escrituras.

5.3. Julgar os servos de Deus com a motivação errada – v. 6b – Cada grupo na igreja de Corinto, estava jogando a baixo os outros pregadores para levantar o seu. Estava existindo um espírito de competição e disputa. Paulo exorta a igreja que não abasta apenas uma pregação fiel, mas também uma prática fiel.

II. O MINISTRO É UM ESPETÁCULO AO MUNDO – HUMILDADE- V. 7-13

• Paulo usa uma imagem muito familiar para o povo do império romano. O governo entretinha o povo, apresentando espetáculos nos anfiteatros nas várias cidades do império. A palavra espetáculo deu origem à nossa palavra teatro (teatron). O coliseu romano tornou-se o centro desses espetáculos, onde os cristãos eram colocados para lutar com feras e serem expostos à morte. Esta é a figura que Paulo evoca para os apóstolos de Cristo. Os ministros não estão no pódio para os aplausos dos homens, mas na arena do teatro, para ser entregue à morte.
• Paulo usa alguns contrastes:

1. Reis e prisioneiros – v. 7-9 

• Os coríntios pensavam que eles eram uma igreja de muito sucesso, muito madura e eficiente. Eles estavam satisfeitos com a sua espiritualidade. Estavam achando que tinha tudo. Estavam cheios de vanglória – v. 7. Por isso a ironia de Paulo no verso 8: “Já estais fartos, já estais ricos, chegastes a reinar…”. Eles estavam como a igreja de Laodicéia. Eles tinham um alto conceito de si mesmos. Ilustração: Um jovem pregador disse para o seu colega: Por favor, ore por mim para que eu seja sempre humilde. O colega respondeu: Diga-me o que é que você tem que pode lhe fazer orgulhoso?

• A teologia da glória é precedida pela teologia da cruz. Nosso lema deve ser o de João Batista: Convém que Cristo cresça e que eu diminua.
• Aos olhos de Deus os apóstolos são primeiro (1 Coríntios 12:28), mas aos olhos do mundo eles são os últimos.
• Somos espetáculo ao mundo (seres racionais). Nossa vida está sendo observada por homens e anjos. Mas somos jogados nas arenas para enfrentar a própria morte, como escravos condenados. Esse é o contexto com que Paulo fala.
• Há três princípios na metáfora Reis-escravos condenados: 1) Se estamos sendo abençoados, outros estão sendo esbofeteados; 2) Se estamos sendo esbofeteados, isso vai abençoar outras pessoas; 3) Todos os cristãos são ao mesmo tempo reis e prisioneiros sentenciados à morte. Somos ricos em Cristo e desprezados pelo mundo. Jamais alcançaremos a bem-aventurança plena aqui. Ainda somos humanos. Ainda estamos no mundo. Ainda somos mortais. Ainda estamos expostos ao pecado, ao mundo e ao diabo. Existe vitória, poder, cura, orientação, salvação – mas ainda não chegamos à perfeição. Vivemos em dois mundos. Ainda há tensão e contrastes.

2. Sábios e loucos – v. 10a

• Paulo era louco de acordo com o critério dos homens. Ele abandonou seu status, sua posição, suas vantagens (Filipenses 3:4-16). Mas na verdade os coríntios que se consideravam sábios aos seus próprios olhos, eram tolos aos olhos de Deus.
• O caminho para se tornar espiritualmente sábio é tornar-se tolo aos olhos do mundo (3:18). O mártir do Cristianismo Jim Elliot disse: “Não é tolo aquele que dá o que não pode reter para ganhar o que não poder perder.”

3. Fortes e fracos – v. 10b

• Houve um momento em que Paulo confiou na sua força (Filipenses 3), mas depois que Cristo o salvou, ele passou a gloriar-se apenas em sua fraqueza (2 Coríntios 12:7-10).
• Os coríntios estavam cheios de orgulho por causa da sua espiritualidade, mas isso era consumada fraqueza aos olhos de Deus. Não há poder onde Deus não recebe a glória. “O meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.”

4. Honrados e desprezados – v. 10c-13

• Os crentes de Corinto queriam glória que vinha dos homens. Eles se achavam importantes por estarem associados a homens famosos. Mas Paulo lhes diz que os apóstolos não nobres, mas desprezados.
• Eles sofrem privações – v. 11
• Eles sofrem maus tratos – v. 11b,12b,13
• Eles sofrem o pior dos preconceitos – v. 13
• Assim foi tratado Jesus e assim foram tratados os apóstolos. Eles estavam prontos a trabalhar e prontos a sofrer. O grande estandarte deles era ser fiel e não popular.

III. O MINISTRO É UM PAI – TERNURA – V. 14-21

• Paulo já tinha comparado a igreja local a uma família (3:1-4), mas agora sua ênfase é sobre o ministro como um pai espiritual.
• A severidade de Paulo dá lugar à ternura. Ele agora se dirige à igreja como um pai aos seus filhos. Ele ensina que o ministro na qualidade de pai faz algumas coisas:

1. O pai é aquele que gera os crentes pelo evangelho – v. 14-15

• Os crentes de Corinto tinham muitos preceptores paidagogos (escravos encarregados de levar as crianças à escola, aos mestres), mas somente ele, (Paulo), os tinha gerado em Cristo. Paulo os levou a Cristo, ganhou-os para Jesus. Somente conhecem o amor de pai e mãe aqueles que já têm essa experiência. Paulo não lida com os crentes de forma profissional, mas como um pai que os gerou.
• O pai tem um especial relacionamento com os filhos.

2. O pai é aquele que é um exemplo para a família – v. 16-17

• A palavra “imitadores” é mimetai. Os filhos aprendem primeiro pelo exemplo, depois pela explanação. O exemplo não é apenas uma forma de ensinar, mas a única forma eficaz. 
• Paulo era um bom exemplo (11:1), porque ele seguidor do supremo exemplo, Jesus Cristo.

3. O pai é aquele que é fiel em disciplinar a família – v. 18-21

• A tolerância de Paulo tinha limites. Agora, ele está pronto a disciplinar os crentes de Corinto. Paulo não era semelhante àquele pai indulgente que diz para o filho: “esta é a última vez que eu falo com você pela última vez”. O pai não apenas dá exemplo e ensina, mas também disciplina os filhos quando eles se tornam rebeldes. Ilustração: Á águia.

• Paulo contrasta (4:19-20) discurso e poder, palavras e obras. Os crentes de Corinto não tinham problema com discursos pomposos, mas não tinham poder. Falavam, mas não viviam. Havia um abismo entre o que falavam e o que praticavam.

4. O pai é aquele que dá afeto e carinho – v. 14,21

• Paulo era um pai capaz de sofrer as dores de parto, capaz de exortar dia e noite com lágrimas, como ama que acaricia os filhos, como pai que prefere ir aos filhos com ternura em vez de ir com a vara.

CONCLUSÃO:

Como ministros somos mordomos e Deus espera de nós fidelidade. Como ministros somos espetáculo ao mundo e precisamos ser humildes. Mas também como ministros somos pais e devemos ter profundo amor pela igreja de Deus.
Rev. Hernandes Dias Lopes.