sábado, 4 de junho de 2016

Temer esvazia secretaria do MEC que cuida do EJA e da educação inclusiva.


Por Fernando Brito/Tijolaço

O Diário Oficial de sexta-feira(02) deveria estar sendo motivo de apuração jornalística, se tivéssemos jornalismo.

Doze funcionários, quase todos assistentes, técnicos e coordenadores- para os que são servidores, remunerações da ordem de R$ 2 mil – da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação foram exonerados.

Não eram chefões, não, eram os que davam operacionalidade às políticas educacionais definidas para o país.

Não foram substituídos, foram eliminados.

Quase todos cuidavam de educação inclusiva e de jovens e adultos, mais conhecia pela sigla EJA.

Educação inclusiva, para quem não sabe, é a que permite que crianças com algum tipo de déficit possam frequentar escolas ditas “normais”, integradas e estimuladas ao desenvolvimento.

Muitas delas com transtornos ou limitações que são absolutamente compatíveis com o convívio numa sala de aula regular e que, em poucos anos, acompanham tudo e integram plenamente o grupo.

Quando podem ter um grupo, já que muitas delas ainda são recusadas nas escolas particulares.

As políticas desenvolvidas pela Secretaria, para ficar nos dados que tenho à mão, permitiu que, em cinco anos, de 2007 a 2012, o número de alunos com deficiência nas escolas regulares passasse de cerca de 306 mil para mais de 620 mil, um aumento de 102,78%

Meu filho mais novo foi um dos que escolas – aliás, que se diziam modernas e inclusivas – recusaram quando souberam que ele tinha um leve transtorno de desenvolvimento. Como foi recebido por outra, privada também, hoje tem um desempenho absolutamente compatível com a idade e série. E com a felicidade.

E se eu não pudesse pagar uma que o aceitasse ou, mesmo pagando, outras recusassem?

Não sei se vão fechar ou simplesmente esvaziar este setor, depenando-o de pessoal.

Depois da desastrada extinção do Ministério da Cultura, o mais provável é que a deixem existir com simples valor declaratório. Uma ou outra sala e a plaquinha na porta.

Estão discutindo escola sem partido, com a luminosa assessoria de Alexandre Frota e os “Revoltados Online”.

Deveriam discutir “escola sem coração, sem amor, sem humanidade”.