quinta-feira, 7 de julho de 2016

CITAÇÃO DE EMPRESA LIGA LOBÃO E EX-PRESIDENTE DA ELETRONUCLEAR NA LAVA JATO


Duas empresas apontadas como de fachada pelas investigações da Operação Lava Jato ligam o ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB-MA) ao ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva, preso novamente no Rio durante a Operação Pripyat, da PF; AP Energy, citada na delação premiada do ex-diretor da Camargo Corrêa Luiz Carlos Martins como responsável por repassar propina ao peemedebista, aparece na quebra de sigilo da Link Projetos e Participações, que, de acordo com o MPF, foi utilizada para repassar vantagens indevidas ao ex-presidente da Eletronuclear; além da delação sobre a propina destinada a Lobão via AP Energy, outros depoimentos apontam para atuação do ex-ministro em desvios de verba pública em obras do setor elétrico

Maranhão 247 - Duas empresas apontadas como de fachada pelas investigações da Operação Lava Jato ligam o ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB-MA) ao ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva, preso novamente nesta quarta-feira (7), no Rio durante a Operação Pripyat, da Polícia Federal (PF).

A AP Energy, citada na delação premiada do ex-diretor da Camargo Corrêa Luiz Carlos Martins como responsável por repassar propina ao peemedebista, aparece na quebra de sigilo da Link Projetos e Participações, que, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF), foi utilizada para repassar vantagens indevidas ao ex-presidente da Eletronuclear.

Na quebra de sigilo da Link, o MPF identificou 88 transações financeiras com a AP Energy entre 2010 e 2014. As movimentações bancárias somam R$ 2,1 milhões.

Segundo as investigações, tanto a Link como a AP Energy existem apenas no papel e eram utilizadas para escoar propina. A primeira tem como sócio o empresário Victor Sérgio Colavitti, que assinou um acordo de delação premiada, após a 16ª fase da Lava Jato, em que a empresa foi alvo.

Colavitti assumiu ter firmado contratos fictícios com a Engevix com o objetivo de esconder os repasses para a Aratec Consultoria, em nome da filha e do genro do ex-presidente da Eletronclear. Ele afirmou ter pago R$ 765 mil para a Aratec no mesmo período em que foram identificadas as movimentações relacionadas à AP Energy.

Além da delação sobre a propina destinada a Lobão via AP Energy, outros depoimentos apontam para atuação do ex-ministro em desvios de verba pública em obras do setor elétrico. Flávio Barra, ex-executivo da Andrade Gutierrez, relatou um pedido do presidente da UTC Ricardo Pessoa “em nome de Lobão”, para que empresários doassem ao PMDB. De acordo com o delator, o pedido ocorreu durante reunião de empreiteiros sobre as obras de Angra 3.

O advogado de Edison Lobão, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que as delações citadas são genéricas e desprovidas de sentido, conforme relato do Estadão. Sobre a AP Energy, o advogado informou que Lobão “sequer conhece a empresa”.