terça-feira, 22 de novembro de 2016

ECOS DA CIRANDA


Os primeiros acordes deste baião forem emitidos há 40 anos. Em 1976, pedi ao jovem poeta Paulo Machado que me organizasse uma pequena coletânea com poemas de autores piauienses. Em curto espaço de tempo, Paulo entregou-me os originais de Ciranda. Com todas as dificuldades imagináveis e mais algumas, publicamos o livrinho, impresso em mimeógrafo e capa colada com grude. A despeito da pobreza material do livro, o lançamento foi um estrondoso sucesso: toda a edição (800 exemplares) vendeu-se na noite do lançamento, num show memorável (Cenas Piauienses – o Rio) no Theatro 4 de Setembro.

Na mesma linha, fizemos: Aviso Prévio; Descartável; O Rio; Mão Dupla e, finalmente, Baião de Todos, em 1996. Ao longo desses 40 anos, editamos praticamente todos os autores piauienses de expressão, de Da costa e Silva a Elias Paz e Silva. Mas, como editor, sempre priorizamos os trabalhos coletivos, atento aos versos de Cabral: “Um galo sozinho não tece uma manhã”.Quatro décadas, numa terra onde tudo é transitório, não é pouco tempo. Ao longo dessa jornada lírica, muita coisa aconteceu: alguns companheiros ficaram pelo caminho; outros se encantaram. Permaneceu, contudo, a crença no poder da palavra e a paixão pela poesia.

Na organização desta coletânea, tomamos como ponto de partida os autores que começaram a publicar seus textos a partir da década de 1970, daí a ausência de figuras do porte de H. Dobal, Mário Faustino, Torquato Neto, entre outros. Convidamos os poetas, e cada um escolheu o que lhe pareceu mais adequado.

A nota mais gratificante deste novo baião  é o aumento significativo do número de mulheres: na primeira edição eram apenas quatro; agora são  doze. Não tenho dúvida: as mulheres salvarão a terra.

Por oportuno, uma explicação: por mais abrangente que seja uma  coletânea, sempre ficarão de fora alguns autores  que se sentirão “injustiçados”. Organizar coletâneas é correr o risco de desagradar. De qualquer forma, na publicação deste livro não entrou um centavo do dinheiro público. Não poderão, portanto, acusar-nos de estar usando o dinheiro do contribuinte para homenagear os “compadres”. Ao baião antes que a “indesejada’ nos estrague a festa.

Cineas Santos