domingo, 13 de novembro de 2016

Mera observação

Por João Batista Rodrigues Batista DE Andrade/Especial para o Bate Tuntum

Temos ouvido e visto - na mídia - uma fraude moral importante no meio político: a sustentação do golpe de Estado, mormente com a fala de velhas raposas, as quais tentam, por todas as vias, justificativas de que a situação político-econômica está bem melhorada em relação à “pior crise da história”, a qual é debitada ao PT. Sabemos que há quem esteja no Congresso sem saber sequer onde se deu a Revolta dos Alfaiates, quanto mais saber do Encilhamento, ou mesmo quando, nesses últimos cinco séculos, tivemos uma crise dessa magnitude. Falam da gastança de períodos sob a gestão de Lula e Dilma, mas se esquecem que FHC deixou o país quebradinho da silva, ainda que ele, FHC, fale sempre de seu Plano Real. 

Bobagem, Fê, o Plano Real foi do presidente Itamar Franco, e não de seu ministro. Ministro é ministro. Pois bem, durante os quase dois anos do último governo Dilma, o Congresso praticamente não aprovou nada de interesse do povo. Sempre permaneceu emburrado com a presidente, e quando chegou a aprovar alguma coisa de relevante, foi por troca de emendas parlamentares, por cargo e nomeações de privilegiados etc. 

Agora o governo faz pior, mesmo porque sob o pífio argumento da austeridade, realizou: 1) o número de cargos comissionado aumentou em 1.4 mil em três meses; 2) Os gastos com cartões corporativos superaram em três meses o que foi gasto em um semestre; 3) houve aumento de gastos com publicidade (tá na cara, e como!); 4) a TV pública voltará a comprar conteúdo da TV Globo (que bonitinho); 5) o governo trocará software livre por R$ 500 milhões em produtos da Microsoft; 6) o governo sancionou o reajuste do judiciário em até 41%; 7) foi sancionado um reajuste para a Polícia Federal e para o Procuradoria da Receita Federal de 47,3%; 8) o Bolsa-empresário de R$ 224 bilhões é mantida sem cortes; 9) ministros do governo ignoram normas e fazem 238 viagens pela FAB sem prestação de contas; 10) o Senado Federal gastará, para reforma o gabinete da sua liderança (Romero Jucá), R$ 283 mil; 11) o governo vai gastar R$ 500 mil em show de samba; 12) o governo gasta em média R$ 50 mil reais para patrocinar jantares a congressistas antes das sessões para aprovar emendas, medidas provisórias etc.; 13) o governo quer cortar gastos com investimentos por 20 anos (congelar), sob o argumento de que “gastamos o que temos”... E ainda andou dizendo, através do Poste Engomado, que estudantes secundaristas não sabem o que vem a ser a PEC 241. 

Poupe-nos, senhor das armas, a nossa inteligência de tanto afago... Sobre isso nada direi, porque parece óbvio que a direita, salvo exceções raras, é portadora de burrice estelar. Engana-se que acredita que Moro engaiolará a José Serra, esse cretino noctívago que abriu uma conta em banco suíço para guardar R$ 23 milhões de origem ilícita ou fruto de propina. Gilmar Mendes é o sujeito que mais aparece na mídia ultimamente, não há um jornal eletrônico ou empapelado que não traga sua excelência dando uma opinião, mormente política, ainda que de fundo judiciário, porque, afinal, ele é juiz da Suprema Corte, mas é um PSDBista engavetado e portador de transtorno bipolar: ora fala como juiz, ora como agente partidário enrustido. 

E assim o país vai levando a vida ou deixando o tempo passar. Enquanto isso a mídia (sem adjetivo, não tenho mais) roda e mostra apenas o que se lhe interessa, mas ouvir os senadores Caiado, Ana Amélia e Agripino Maia, é pior que sorver, vaso a baixo, aquela diarreia espumosa ou aérea. Mas é o que há. Bem, vou dar por findo esse texto porque, afinal, hoje é domingo. E como diria Émerson Araújo, lente do vernáculo em Tuntum, e blogueiro da Mata do Japão: bom dia!

João Batista Rodrigues Batista DE Andrade é advogado e ex-professor da USP/Natural de Tuntum - Maranhão.