quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Pastor Ariovaldo Ramos: temos de nos reorganizar, esquecer as diferenças e ocupar o país


Voltamos para o pior, e não foi mero retorno para o período ditatorial iniciado em 1964 e encerrado em 1985, mas para o período pré Getúlio Vargas e, em alguns casos, para o período pré abolição da escravatura.

O historiador Eric Hobsbawm tinha a tese de que o tempo não se mede apenas cronologicamente, mas, também, a partir de eventos que demonstrem uma mudança radical na descrição do significado do tempo, isto é, na prática um século pode ter mais ou menos que 100 anos, desde que um evento acontecido nesse período marque uma mudança de estado do tempo, uma mudança de era, por exemplo. Isto equivale a dizer que o século XX começa, de fato, no início da era industrial, que, cronologicamente, aconteceu no século XIX.

O historiador procurava demarcar os avanços na história, entendendo-os como marcações temporais que anunciavam salto, evolução. Não sei se o nobre mestre teria uma tese para explicar o que aconteceu no Brasil no ano de 2016, onde tivemos, de fato, uma mudança radical na história, mas, não foi um salto para o alto e avante, senão uma queda para o fundo do poço do século XX, e, em alguns casos, para algo do ruim do século XIX.

Em seis meses vimos o fim da democracia; a desfiguração da Constituição de 1988; a flexibilização da Consolidação das Leis Trabalhistas; o fim da Seguridade Pública; o congelamento dos investimentos em saúde, educação, e infraestrutura; o fim da Petrobras e do monopólio da exploração do petróleo; a mudança conceitual da educação de fator de desenvolvimento para fator de adestramento; e o desmonte do estado social brasileiro: uns já consolidados, outros em andamento, isto é, voltamos para o pior, e não foi mero retorno para o período ditatorial iniciado em 1964 e encerrado em 1985, mas para o período pré Getúlio Vargas e, em alguns casos, para o período pré abolição da escravatura.

Tudo operacionalizado pelos piores representantes da política brasileira, em toda a nossa história, todos comprometidos, segundo delatores, com esquemas intrincados de corrupção, inclusive, alguns sob acusação de prática de crimes hediondos. Sustentados por uma elite econômica subdesenvolvida, por uma mídia que se corrompeu em relação a sua finalidade; e pela inoperância do sistema judiciário brasileiro, que intencionalmente ou não, em alguns casos se omitiu, em outros coniviu, e, nas situações em que admitiu a exceção se acumpliciou. Se o que parece é.

A única reação, de nota, a todo esse movimento de usurpação, pelo golpe ao Estado de Direito, foi do movimento estudantil, com apoio de parte do professorado. As demais forças vivas e democraticamente organizadas da sociedade civil, perplexas e aturdidas, vitimadas pela desmobilização e divisões pré golpe, reagiram de modo pífio, considerada a virulência e a extensão do golpe.

Bem… 2017 vem aí, precisamos retomar o governo que conquistamos pelo voto, temos de nos reorganizar, esquecer as diferenças e ocupar o país. Temos de dividir o país em quadras, bairros, cidades, setores, especialidades. Temos de promover ocupações em todos os níveis, em todos os setores, autarquias e empresas públicas. Temos de apoiar intensiva e ostensivamente a mídia alternativa. Temos de protestar em todos os quadrantes e de todas as formas legítimas. Temos de entrar em um estado permanente de greve até que o Brasil volte à estrada da democracia.

O nossa luto vem do verbo lutar! Feliz 2017!

Do Blog Nocaute