domingo, 15 de janeiro de 2017

Preocupações de um cidadão surpreendido pela forma como a barbárie aconteceu e foi noticiada


Não há como concorrer com o crime quando se trata de obtenção de poder, de qualquer natureza, por isso o crime não pode ser reconhecido como fonte de organização


Preocupações de um cidadão surpreendido pela forma como a barbárie aconteceu e foi noticiada…

Os bandidos estão se matando para controlar os presídios… diz o noticiário.

Mas, os presídios não estão sob o controle do Estado?

Como eles podem controlar o que já está controlado?

E como eles conseguem se matar dentro do presídio?

Eles estão sob a tutela do Estado!

Como a gente sabe o nome das organizações por detrás dessas mortes?

Como a mídia, a tais motins, eleva à categoria de organização?

A sociedade não deveria assumir como organização apenas as democraticamente instituídas?

Como que tutelados pelo Estado ousam pensar que podem controlar espaços sob a administração do Estado?

De onde vem esse vácuo de poder, que permite tais desvarios?

Por que o Ministério da Justiça se recusou a ajudar o Estado de Roraima?

O que significa controlar os presídios controlados, por definição, pelo Estado?

Por que há presídios terceirizados, se presídio é poder de polícia, que só o Estado detém?

Quanto tempo vai levar para que essa luta, dentro dos presídios, passe a acontecer na via pública?

Se eles conseguirem impor tal controle, que mais tentarão controlar?

De fato, tendo em vista, o quanto já têm sido reconhecidos, o que, por ventura, do que deveria estar sob a exclusiva autoridade do Estado, tais meliantes já não controlam?

Se a venalidade se instala nos espaços que deveriam ser monitorados a partir do rigor da lei, fica claro que o poder econômico relativizará a ética, se não a impuser utilitariamente, o que será, por definição, a adulteração do conceito e do concreto.

Não há como concorrer com o crime quando se trata de obtenção de poder, de qualquer natureza, por isso o crime não pode ser reconhecido como fonte de organização.

Qualquer reconhecimento é uma forma de legitimação, o crime tem, sempre, de ser tratado como o que deve ser debelado, porquanto anomalia, e o criminoso deve ser tido como alguém a ser recuperado para a sociedade… nem empoderado, nem barbarizado.

Nosso luto vem do verbo lutar.

Blog Nocaute/São Paulo