quinta-feira, 6 de abril de 2017

Hediondo


Um pretenso candidato à presidência da republiqueta, de aparente contorno neonazista, faz piada sobre pretos Quilombolas, e obtém o riso do assentimento de gente que descende de um povo que foi massacrado pelos nazistas. 

Por Ariovaldo Ramos/Pastor Evangélico

O ex-presidente do Senado e, agora, líder de seu partido, começa, aparentemente, a desembarcar do governo do pseudo e menciona o mais cotado pelo povo.

Estaria o governo do golpe soçobrando, ou é a emissão de um comando para próxima fase do golpe? Seria uma debandada frente a proximidade das eleições majoritárias, ou aviso de que tais eleições não podem se realizar de forma direta?

Estaria se preparando para o novo acordo ou avisando que é hora para eleger um indireto e postergar a realização das eleições?

Dúvida cruel, que se explica pelo estado de caos e pelo clima de conspiração contra o direito que se percebe e se constata no ar rarefeito desta ex-República, agora, mera republiqueta.

O fracasso das instituições é de tal nível, que um cidadão, outrora mui respeitoso, estava a tomar café, no centro de sua cidade, e percebeu a presença de um senhor portando uma toga, que denunciava a sua magistratura, sua reação, que, no passado, seria de respeito, foi esboçar um sorriso sarcástico enquanto subia à sua alma uma sensação de absoluto desprezo!

Enquanto isso o juiz, que deverá julgar o pseudo, ostenta a sua amizade e aparente compromisso com o réu…

E os que deram curso ao golpe, e estão incriminados por delatores, discutem uma reforma política…

E um vereador da maior cidade, em incertas de total desacerto, visita várias escolas para intimidar professores…

E um pretenso candidato à presidência da republiqueta, de aparente contorno neonazista, faz piada sobre pretos Quilombolas, e obtém o riso do assentimento de gente que descende de um povo que foi massacrado pelos nazistas…

E uma preta, adolescente, atleta, bolsista, evangélica, na cidade maravilhosa, foi, na escola, ao sair para tomar água, assassinada pela polícia que, embora, deva proteger civis locais, indefensavelmente, é militar e trata os civis como se fossem os inimigos, enquanto caça criminosos federais…

E a precarização do Trabalho, aprovada pelos que deveriam representar o povo, começa a fazer vítimas…

E a elite subdesenvolvida, que a esse horror patrocinou, e que pensava usufruir da nova modalidade de escravismo, começa a assistir o desmoronamento do Parque industrial em favor do capitalismo internacional, que não precisa dela…

Tudo isso mereceria o sorriso sarcástico e o mero desprezo se não fosse tão trágico e tão hediondo!

Se faz necessária e urgente uma reação proporcional!

Nosso luto vem do verbo lutar!


Nocaute
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