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terça-feira, 9 de maio de 2017

Lata do Lixo! Em entrevista ao Jornal Pequeno, Weverton critica a Reforma da Previdência


O deputado Weverton Rocha, do PDT do Maranhão, é uma das vozes mais ativas na Câmara contra as reformas propostas pelo governo Temer. Em seus discursos tem sido duro nas críticas. E em suas redes sociais deu início a uma série de vídeos em que procura descontruir os argumentos do governo de que as mudanças no relatório da Reforma da Previdência resolveram os problemas da proposta inicial.

O Jornal Pequeno conversou com ele sobre o seu posicionamento na Câmara.

JP – O PDT anunciou que teria neutralidade em relação ao governo Temer, mas como líder do partido na Câmara, o senhor tem tido uma postura bastante crítica em relação às proposta enviadas pelo governo e um deputado foi expulso por votar a favor da Reforma Trabalhista. Isso não coloca o PDT na oposição?

WR – Neutralidade significa votar pelo que é melhor para o País. E todas essas reformas são muito ruins. Não há como não nos posicionarmos com muita veemência contra projetos que retiram direitos históricos dos trabalhadores e condenam milhões a trabalhar uma vida inteira sem conseguir se aposentar. Essas reformas traem o povo e temos que lutar contra elas. Votei contra a reforma trabalhista, contra a terceirização indiscriminada e votarei contra a reforma da Previdência.

JP – Mas a reforma da Previdência não é necessária?

WR – Não essa reforma que está aí. Ela penaliza demais os mais pobres, que são justamente os que começam a trabalhar mais cedo, passam mais tempo desempregados e ganham menos. Essa idade mínima de 65 anos é muito alta para o brasileiro. E uma coisa é se aposentar aos 65 anos, trabalhando em bons empregos e sobrando um dinheirinho para aproveitar bem férias uma vez por ano e até viajar. Outra bem diferente é começar a trabalhar como aprendiz aos 16 anos, ganhar salário mínimo, em empregos bem mais pesados e no fim ter que esperar até os 65 para aposentar. Para o pobre ficou pesado demais.

E mais, o governo até hoje não apresentou os números reais da Previdência. Fiz uma solicitação formal desses dados e até hoje não recebi resposta. Fazer a reforma desse jeito é como cortar os gastos mais importantes de uma família, sem saber quanto é necessário fazer de economia, é temerário.

JP – Sua posição foi muito forte contra a reforma trabalhista. Mas o fato é que a legislação brasileira é muito protecionista e precisa ser modernizada. A reforma não vai liberar as amarras do mercado e gerar mais emprego? Não é preciso modernizar essas relações?

WR – Este é o ponto. A reforma trabalhista proposta pelo governo não moderniza as relações. Ela criou algumas situações muito distorcidas para o trabalhador, que se gerar empregos será com remunerações muito mais baixas e péssimas condições. O contrato de horas intermitentes, por exemplo, deixa o trabalhador regido por um contrato em que ele é pago por hora trabalhada, mas tem que ficar a disposição do empregador o tempo todo. Um garçom pode ser contratado para trabalhar só alguns finais de semana e será pago só pelos dias trabalhados. Mas se em um desses finais de semana ele não puder ir, vai pagar uma multa de 50% sobre o valor que ele iria receber, porque tem um contrato de trabalho com o restaurante. Isso significa que ele não pode arrumar um trabalho paralelo, tem que esperar o chamado, e se não vier esse chamado? Ele não ganha nada naquele mês. Isso é uma loucura, uma volta ao trabalho servil. Fiz uma emenda para mudar esse dispositivo, mas ela foi derrotada pelo “trator” do governo.

Se é para modernizar as relações, vamos discutir a sério, fazer inovações reais, mas sem esquecer que quem pode contratar e demitir é sempre o lado mais forte da negociação.

JP – As suas redes sociais tem sido usadas para criticar duramente essas reformas. Essa é uma bandeira sua?

WR – O governo tem usado a grande mídia para vender a falsa ideia de que essas reformas são positivas e que os problemas da reforma da Previdência foram sanados com as mudanças no relatório. Mas o fato é que os números foram manipulados para enganar as pessoas. O que foi dado com uma mão foi retirado com a outra e, no fim das contas, o trabalhador está mais desprotegido. A conta da crise está ficando para os mais pobres. Então achei importante desfazer esses enganos, mostrar as pegadinhas das reformas e esclarecer as pessoas sobre o que realmente as aguarda.

JP – O senhor disse na última quinta-feira, em sessão solene da Câmara em homenagem ao Dia do Trabalhador, que o destino da Reforma da Previdência tem que ser a lata do lixo. Não há nada que se salve nessa reforma?

WR – Essa proposta não tem salvação. Foi construída sobre bases erradas, sem ouvir os setores, sem apresentar dados que comprovem o tamanho real do problema e a real necessidade de sacrifício e principalmente sem pactuar nada com ninguém. Há muitas falhas e não adianta tentar fazer remendos aqui e ali, colocando a carga sobre outros setores. Em casos assim, o melhor é recomeçar do zero, sobre as bases corretas e fazer um projeto que atenda efetivamente a necessidade do País.

JP – A reforma Trabalhista foi aprova na Câmara e segue agora para o Senado. O mesmo pode acontecer com a reforma da Previdência?

WR – Primeiro, quero deixar claro que lamento profundamente a aprovação da reforma trabalhista. Há retrocessos profundos nela, que deixam o trabalhador vulnerável, que enfraquecem a Justiça do Trabalho e devolvem o Brasil ao capitalismo selvagem. Espero que a Reforma da Previdência seja rejeitada em Plenário. Me empenharei para isso, porque a aprovação seria um golpe terrível contra o trabalhador brasileiro.

JP – Mas o senhor vê condições para a aprovação?

WR – Como é uma Proposta de Emenda Constitucional, é preciso 308 votos em dois turnos. Não é fácil conseguir isso. E tem o efeito da força popular, que é muito importante. As pesquisas mostram que 70% da população são contra essa reforma. Mas o governo vai se mover e tentar pressionar sua base aliada. Então, mais que nunca a mobilização popular é decisiva. Nós do PDT estaremos em alerta e faremos tudo ao nosso alcance para que essa reforma vá mesmo para a lata do lixo.

Jornal Pequeno
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