quarta-feira, 5 de julho de 2017

ENQUANTO AS POLÍCIAS PARAM, TEMER COMPRA DEPUTADOS POR R$ 4,2 BI

A ânsia de se resguardar da denúncia de corrupção passiva feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fez com que Michel Temer liberasse nada menos que cerca de R$ 4,2 bilhões em recursos para emendas parlamentares. O valor é mais de seis superior ao total solicitado pelas Polícias Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF) e que foi contingenciado pelo Planalto. Em função das restrições orçamentárias, a PF suspendeu a emissão de passaportes na semana passada e a PRF anunciou a suspensão de operações de fiscalização e o fechamento de unidades operacionais em todo o país.

Somente na PF, o contingenciamento chegou a 44%, quase R$ 500 milhões, o que deve afetar, segundo delegados da corporação ouvidos pelo Brasil 247, operações dos mais diversos tipos, a exemplo da Lava Jato, já que os recursos necessários para viagens, diárias, combustível e outros gastos não estarão mais disponíveis. Na semana passada, a PF suspendeu a emissão de passaportes devido a falta de recursos.

O governo anunciou que iria enviar ao Congresso uma proposta para remanejar recursos de R$ 102 milhões para regularizar a emissão dos passaportes, mas a proposta ainda não foi votada pelos parlamentares. O governo tenta remanejar recursos da área de educação, o que foi mal recebido pela Comissão Mista de Orçamento.

Nesta quarta-feira 5, a PRF anunciou que irá suspender de forma imediata as ações de policiamento e resgate aéreo, a redução imediata dos deslocamentos terrestres de viaturas em patrulhamento. Também serão suspensos os serviços de escolta de cargas em rodovias e serão desativadas unidades operacionais. O horário de funcionamento das unidades administrativas também será alterado com priorização de atendimento ao público entre 9h e 13h.

"Frente ao caráter temporário do contingenciamento, as medidas adotadas foram selecionadas de maneira que impactem o mínimo possível a atividade finalística do órgão e que possam ter reversão sem prejuízos à administração quando da recomposição orçamentária", disse a PRF em nota.

Por outro lado, nos primeiros cinco meses do ano, quando a crise política se agravou, o governo transferiu a deputados e senadores R$ 959 milhões em emendas e restos a pagar. Somente em junho, foram R$ 529 milhões, o que elevou o valor acumulado ao longo dos primeiros meses deste exercício para cerca de R$ 1,48 bilhão, segundo dados do Siafi.

Um levantamento feito pela agência de notícias Reuters aponta que no dia "9 de maio —poucos dias antes da divulgação da delação que implicou Temer feita por executivos da JBS— a liberação acumulada no ano era de R$ 531,5 milhões". Pelo levantamento constata-se que o ritmo de liberação foi acelerado em poucos dias em função das denúncias, já que Temer precisa assegurar o apoio de 171 dos 513 deputados para se manter no poder.

br/247