terça-feira, 1 de agosto de 2017

Participação popular norteia debate no 3° Interconselhos do Maranhão

Governo do Maranhão - Os desafios e perspectivas da participação popular mediante a conjuntura nacional e regional foi a agenda de discussão que mobilizou representantes dos mais de 38 conselhos estaduais a se reunirem durante o 3° Interconselhos do Maranhão, na tarde de terça-feira (1), no auditório da Assembleia Legislativa do Maranhão, em São Luís. 

O evento, promovido pela Secretaria Estadual de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), teve a presença do escritor, teólogo e professor Leonardo Boff, que trouxe ao debate a sua experiência política, social e filosófica sobre a importância da manutenção da democracia e do levante popular. 

O secretário estadual de Direitos Humanos e Participação Popular, Francisco Gonçalves da Conceição, falou sobre a função dos conselhos na atual conjuntura política nacional. “O Interconselhos foi criado para ser um espaço de articulação das demandas da sociedade civil junto ao poder público. Não se muda a realidade de pobreza do estado sem o empoderamento dos movimentos sociais. Na história da democracia brasileira, os conselhos de direitos se tornaram um símbolo da participação popular e o debate de hoje é uma posição política do governo do estado na defesa intransigente da democracia brasileira”, disse. 

Na abertura do evento, a presidente do Conselho Estadual da Mulher, Lúcia Gato, cantou o hino nacional acompanhada de percussionista que executou ritmos da cultura popular e afro-brasileira, sugerindo ao debate um pensamento e debate regional para questões nacionais. 

“Temos uma grande missão que é trabalhar sem descanso para que as políticas públicas fiquem de pé contra os desmandos do atual governo golpista. Estamos aqui em nome daquilo que a sociedade civil reivindica e quer executar: nenhum direito a menos”, pontuou Lúcia Gato. 

Marta Bispo, representante do Conselho Nacional dos Bispos do Brasil, saudou as mulheres, comunidades, pastorais e educadores, ressaltando o valor da manutenção da democracia por meio da participação popular. “Nós continuamos a resistência em favor dos direitos da participação popular, da democracia e da liberdade nestes tempos em que a constituição cidadã sofre um golpe. Estão nos tirando o direito de ser cidadão no país”, falou Marta Bispo. 

O desafio da crise nacional

O teólogo iniciou a palestra destacando a importância pedagógica e social da crise política nacional como uma oportunidade de repensar o modelo de desenvolvimento do Brasil. “A crise sempre aparece de tempos em tempos quando o povo adquire consciência de direitos. A função do golpe é tirar o acesso de direitos sociais e difundir o ódio e a raiva das classes dominantes contra os pobres e negros”, disse Boff. 


Para o escritor, três grandes sombras marcam a história brasileira: o genocídio indígena, a escravidão negra e forma violenta de colonização descrita no livro 'Casa Grande e Senzala', do historiador Gilberto Freire. “O Brasil se transformou numa empresa que reproduz a casa grande e senzala com concentração de renda a uma oligarquia que controla as políticas econômicas pautado num modelo patrimonialista”, explicou Boff. 

O golpe foi uma estratégia de desmonte de políticas publicas que promoviam inclusão social, autonomia e o surgimento de um novo sujeito histórico, mantendo a natureza de acumulação das oligarquias. 

Leonardo Boff propôs também a observação de pensar um novo modo de desenvolvimento social para o Brasil, considerado a 7ª economia do mundo, a partir da conjuntura geopolítica mundial, com os novos acordos políticos com a China e o BRICS e as estratégias de dominação dos Estados Unidos no controle territorial do Atlântico Sul. “O presidente Donald Trump é a pessoa mais estúpida e perigosa na liderança mundial e que ameaça a humanidade pela eminência de uma nova guerra. Uma estratégia imperialista é desestabilizar todos os governos progressistas com o golpe parlamentar”, alertou. 

A mensagem final do escritor foi a busca de caminhos e soluções que quebre com a hierarquia estabelecida. “Não esperem nada de cima. Inaugurem uma nova forma de democracia participativa, com a autoproducao e a cooperação de todos. Para viver com dignidade é necessário trabalho e renda para todos e os movimentos sociais podem elaborar um novo projeto de Brasil”, finalizou.