quarta-feira, 8 de novembro de 2017

"Mamãe é dura na queda"


Por Emerson Araújo

Ao completar 80(oitenta) anos de vida, na última segunda-feira(06), Dona Rosa Feitósa de Araújo (Rosinha), a minha mãe, reuniu uma parte da filharada, somos 08(oito), netos, bisnetos, sobrinhos, sobrinhas, noras e uma parte dos amigos/amigas de longas datas para disparar mais uma sinceridade que lhe tem sido peculiar durante estes anos todos: - não quero comemorações, mas já era tarde.  Depois de andar por mais de uma hora no encalço de uma sorveteria que não existia comigo,  chegamos a casa de uma das filhas na zona leste de Teresina onde a festa já tinha sido preparada há uma semana sem ela saber. Quis voltar da entrada da residência logo que se deparou com a escuridão, mas foi convencida a ficar pelos gritos de parabéns da filharada presente ali, netos, bisnetos, noras, sobrinhos, sobrinhas e amigos/amigas.
Dona Rosinha é assim mesma, um misto de matriarca controladora de tudo, uma rosa doce e solidária, também,  como poucas. Vencedora de algumas patologias, reclama das dores da osteoporose perversa que tem lhe tirado o sorriso, mas já venceu um câncer no intestino e, agora,  os problemas renais que lhes tem aparecido nos últimos meses. A última cirurgia feita há um mês não a deixou nem 48(quarenta e oito) horas deitada numa cama fria de hospital, quando eu pensei em visitá-la ela já estava em casa, cuidando dos pássaros que ela trata com zelo e espírito maternal, assistindo  as missas intermináveis dos padres televisos Robson e Alessandro Campos.  E por falar em missas televisas que roda o dia todo na tv por assinatura de sua propriedade, Dona Rosinha só abre espaço para a neta caçula Lorena que consegue convencê-la de mudar de canal volta e meia quando vai a Teresina para assistir aos desenhos animados do Canal Kid's.
Matriarca dura na queda, Dona Rosa Feitósa, que já residiu em Santa Filomena - Maranhão no final da década de cinquenta com as irmãs Maria Secretária, Enói Bandeira se fez professora das crianças pobres do antigo povoado agregado a Tuntum com sua letra desenhada que  ainda hoje faz lembrar os primeiros alunos da atual cidade no centro-sul maranhense.  Lá na Filomena, ainda, ela me pariu em 1958 e, em Tuntum,  outro filho na década de setenta, Fábio Torres.
Minha mãe aos oitenta anos é uma presença forte, determinante na vida dos quatro filhos, quatro filhas,  de duas dezenas de netos e alguns bisnetos, a vovó dona  Rosa, a mãe Rosinha é uma dádiva preservada por Deus, mesmo com suas dores, seus pássaros, suas missas  vai caminhando entre nós altiva, um achado festivo na vida de todos nós.