sábado, 30 de dezembro de 2017

Depois de Temer, um Brasil em ruínas



Por Eric Nepomuceno/Nocaute

Quando eu era jovem e trabalhava em jornal, no tempo em que eu tinha espaço na imprensa brasileira, eu lembro de uma brincadeira, de uma frase que corria na redação onde eu trabalhava que era a seguinte. “E, de repente, quando menos se espera, chegou o Natal”.

Agora, podia repetir a brincadeira. E de repente, quando menos se espera, o ano acabou. O ano acaba daqui a dias. Se a gente olhar para trás, foi um ano curioso.

O Michel Temer perdeu cinco meses, cinco meses de governo para tentar salvar o próprio pescoço e o pescoço de dois de seus mais notórios cúmplices. O Eliseu “Quadrilha”, perdão, Padilha, e uma figura aqui do Rio que a gente conhece bem e deplora e detesta, um gatuno, batedor de carteira de terceira categoria chamado Wellington Moreira Franco. Triste figura.

O que é que aconteceu se a gente for olhar para trás. O Temer sofreu uma derrota vigorosa. O banqueiro e ex-presidente do Conselho da JBS Henrique Meirelles também, porque eles não conseguiram votar a reforma da Previdência no Brasil.

Agora, eu já falei aqui várias vezes e eu insisto. Enquanto a gente fica preocupado com a ladroagem, com o cinismo, com essa maré de hipocrisia, com a imoralidade do nosso Congresso, com essa quadrilha verdadeira, um sindicato de bandoleiros, que é o ministério do Temer, e a gente tem a impressão de que não fazem nada, de que não acontece nada, eles fazem muita coisa, muita coisa, muita.

O meu querido amigo Sebastião Salgado, por exemplo, acabou, eu li na Folha, imagina, na Folha, de fazer uma reportagem interessantíssima sobre uma tribo do extremo oeste do Amazonas, no extremo oeste da Amazônia, além das fotos belíssimas e da história terrível, ali está embutida uma informação: a Funai está sem dinheiro.

Quer dizer, os índios estão à mercê de garimpeiros, de grileiros, de fazendeiros. Também meio disfarçada está para ser aprovada uma mudança no currículo escolar brasileiro, transformado as aulas de religião em obrigatórias.

Esse é o nosso Estado laico do Michel Temer. O Estado laico do Michel Temer. Estão destruindo o petróleo, isto a gente sabe. Agora, o mais grave é que estão destruindo a universidade pública também. Quer dizer, eu nunca vi um amontoado de destruições, enquanto a gente acha que o governo não faz nada.

A grande tragédia de 2017 é que o governo do Michel Temer sim, fez coisa. Fez muita coisa. Todas, e cada uma delas muito ruim, todas péssimas. Quem vier depois dele vai encontrar um país em ruínas, e com as instituições desmoralizadas.

Quanto mais eu vejo o Supremo Tribunal Federal, a Corte máxima da Justiça do meu país, mais eu vejo um circo de horrores. É uma coisa incrível. Ninguém é capaz de conter uma figura chamada Gilmar Mendes.

O Lula, agora em janeiro, vai ser julgado em segunda instância em Porto Alegre. Pois o presidente do Tribunal já disse que a sentença do Sérgio Moro é irretocável. Irretocável, quer dizer, já condenou o Lula sem ter nenhuma prova, baseado em ilações, ou naquilo que aqueles garotinhos saltitantes do Ministério Público chamam de convicções.

Este é um ano que se acaba e com ele acaba muito do meu país. O meu país está cada vez mais acabando.