2018 é a eleição da rejeição, avalia Rodolfo Costa Pinto


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Rodolfo Costa Pinto

A eleição de 2018 pode ser comparada a 1 passeio de montanha-russa. Existe 1 ponto de partida e 1 caminho cheio de curvas, subidas, descidas e voltas de cabeça para baixo. Ao final, retorna-se ao mesmo ponto de onde se havia saído.

Jair Bolsonaro e o candidato do PT (primeiro, Lula, depois, Haddad) iniciaram o período eleitoral na frente. Devem chegar em 7 de outubro como aqueles que avançarão ao 2º turno.

Fazer previsões eleitorais é sempre empreitada arriscada. Todos os indicadores de todas as últimas pesquisas publicadas apontam para o mesmo quadro. Jair Bolsonaro estabilizado e Fernando Haddad em ascensão. Os demais candidatos em 1 patamar de intenção de voto bem abaixo dos líderes.

O capitão do Exército na reserva varia de 1/4 a 1/3 das intenções de voto. Haddad ocupa o espaço que estava guardado ao “candidato de Lula“. Os 2, inclusive, já podem estar empatados – como indicou a última pesquisa divulgada pelo DataPoder360.

Há ainda remotíssima possibilidade de uma combinação de votos estratégicos levar Ciro Gomes ou Geraldo Alckmin para o 2º turno. É preciso estressar o adjetivo remota às franjas da “surpresa surpreendente” para levar em conta essa probabilidade.

Os números revelam que tanto os eleitores de Bolsonaro quanto os de Haddad já estão consolidados e não devem mudar de opinião.

Apesar dos ataques constantes que os líderes das pesquisas vêm enfrentando, 90% dos eleitores de Bolsonaro e 84% dos eleitores de Haddad votarão “com certeza” nos candidatos do PSL e do PT. É 1 cenário que dificilmente mudará nas derradeiras horas até o pleito do próximo domingo.

Tanto Ciro quanto Alckmin não dependem mais apenas de si para assegurar a ida ao 2º turno. Os 2 teriam de contar com o derretimento completo da candidatura de Bolsonaro e com a desistência de outros candidatos. E também com a sorte.

Qualquer 1 deles, Ciro e Alckmin, precisaria que todos os eleitores desistentes das outras opções e aderentes ao “voto útil” migrassem para apenas uma das opções alternativas (1 deles).

Fernando Haddad é cada vez mais reconhecido como “o candidato do Lula“. A possibilidade de Ciro Gomes crescer na via de centro-esquerda praticamente inexiste. A capacidade do cearense de se manter no patamar de 10% a 15% das intenções de voto coloca-o como alternativa para eleitores que rejeitam o PT acima de tudo. O fato de Ciro vencer todos os adversários nas simulações de 2º turno da última pesquisa divulgada pelo Datafolha deixa isso claro.

O fato é que à frente nos levantamentos de 2º turno não torna nenhum candidato competitivo no 1°turno. O mesmo tipo de problema afeta a candidatura de Geraldo Alckmin. O tucano ganha ou empata tecnicamente com quase todos os adversários no 2º turno, exceto com Ciro Gomes.

No 1º turno, as pessoas têm a possibilidade de votar a favor de algo e de alguém, não apenas contra outros.

O campo anti-PT está fragmentado. As dificuldades de coordenação do voto estratégico devem assegurar a passagem de Jair Bolsonaro para enfrentar Fernando Haddad no 2o turno.

Se o 1º turno é guiado por eleitores que são pró algum projeto, no 2º turno o nível de rejeição poderá ser muito mais determinante. A pergunta que importa é: para onde irão os eleitores dos candidatos que não passarem para a 2aªetapa da eleição?

Tanto Fernando Haddad quanto Jair Bolsonaro apresentam altos níveis de rejeição. Isso é verdade em quase todas as pesquisas publicadas nas últimas semanas. Em julho, o DataPoder360 flagrou a rejeição a Bolsonaro em 65%, a rejeição a Lula em 60% e a rejeição a Haddad em 57%. São números historicamente muito altos.

Na rodada de setembro do DataPoder360, Fernando Haddad apareceu numericamente à frente de Jair Bolsonaro no 2o turno. Mas a pequena margem de diferença configura 1 empate técnico entre os 2 candidatos.

Na prática, isso quer dizer que as duas campanhas terão muito trabalho para convencer o eleitorado de outros candidatos a votar em Haddad ou Bolsonaro no 2o turno.

Seja Haddad ou Bolsonaro que termine o 1o turno numericamente à frente, no 2oturno o nível de rejeição será decisivo. As campanhas terão tempo de televisão e rádio iguais. O clima de polarização política no país significa que qualquer erro pode ser fatal para cada 1 dos candidatos.

Os ataques vão se intensificar de ambos os lados. Ao mesmo tempo que tentarem desconstruir o adversário, os candidatos terão de saber construir pontes e selar alianças para vencer a eleição.

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Rodolfo Costa Pinto, 25, é cientista político pela UFPE com mestrado pela George Washington University. É coordenador da divisão de pesquisas do Poder360, o DataPoder360.
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