BRASÍLIA EM CLIMA DE ESTADO DE SÍTIO: CARRINHOS DE BEBÊ E MAÇÃS PROIBIDOS

Adriano Machado/Reuters e charge de Gilberto Maringoni

Por Mauro Lopes e Gilberto Maringoni, para os Jornalistas pela Democracia - O que a capital do país está vivendo desde a manhã deste 1º de janeiro para a assunção do novo regime na tarde deste 1 de janeiro não tem precedentes. Brasília está como que em estado de sítio. Repórteres estão sob ameaça de levar tiro, carrinhos de bebê e até maçãs estão proibidos. 

É proibido entrar na Esplanada dos Ministérios de bicicleta, skate e patins. Ninguém pode transportar guarda-chuva, objetos cortantes, máscaras, garrafas, sprays. Bolsas e mochilas são terminantemente proibidas. Os carrinhos de bebê foram postos na clandestinidade e estão vetados. Repórteres estão sob ameaça de levar tiro, segundo testemunho do jornalista Vicente Nunes, do Correio Braziliense: "Quando chegaram aos 'chiqueiros' nos quais foram confinados, jornalistas foram avisados: não pulem as cordas, se pularem, levam tiro. A que ponto chegamos. E tem gente que defende esse tipo de tratamento autoritário. Por tanto medo de jornalistas? Algo tem a esconder?" (aqui).

Quatro linhas de revistas estão montadas a partir da Rodoviária do Plano Piloto, com fiscalização manual da Polícia Militar. Há detectores de metais ao longo do percurso. Apesar do aviso de que a população poderia passar pelas barreiras com frutas e pacotes de biscoitos, preferencialmente em sacola transparente, eles estão sendo apreendidos em várias barreiras. (aqui).

O repórter Afonso Benites, do El País, que faz a cobertura da posse relata que jornalistas estão sendo impedidos de levar maçã inteiras na cerimônia: - "Na inspeção de segurança, os policiais pedem para quem as leva, cortá-las ao meio. Mas ninguém tem faca. O destino: lixeira" (aqui). A repórter Basília Rodrigues, da rádio CBN, descreve: "Sucos, iogurtes e frutas de jornalistas jogados no lixo durante revista no Palácio do Planalto, apesar de autorização inicial para levar lanches" (aqui).

A jornalista Amanda Audi, do Intercept, relata que nem cachorros são tratados desta maneira. "Não se trata cachorro como os jornalistas são tratados na posse de Bolsonaro. Não tem água, precisa de autorização pra ir ao banheiro, não pode circular pra lugar nenhum, jornada de 14 horas, fomos revistados duas vezes e nos alertaram que há risco de levar bala dos atiradores", diz ela (aqui). 

Segundo Vicente Nunes, correspondentes da China e da França decidiram abandonar a cobertura. "Jornalistas da França e da China se rebelam e abandonam sala onde estavam confinados no Itamaraty. Disseram que não aceitariam ficar em cárcere privado até às 17h, quando seriam liberados para fazer registros da posse de Bolsonaro. Essa rebelião deveria ser geral", afirmou em um tweet.

Uma charge de Gilberto Maringoni, dos Jornalistas pela Democracia sintetiza o que se vive em Brasília hoje. É uma charge-profecia: foi feita na véspera da posse e ilustra este artigo.
Posted in  on 13:55:00 by Blog Bate Tuntum |