DINO: JUDICIÁRIO SOFRE COM EXCESSO DE MÍDIA NA SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

Brasil 247/STF
247 - Juiz federal durante 20 anos, comunista e botafoguense. Esse é o perfil de Flávio Dino (PCdoB), 50 anos, que chega ao segundo mandato como governador do Maranhão angariando uma aprovação de 62% da população, reflexo de um projeto de combate à desigualdade social somado ao desenvolvimento econômico do Estado. Em entrevista exclusiva à TV 247, Dino comenta a postura parcial do Judiciário brasileiro, fala sobre suas ações no Estado, que vão na linha contrária das propostas federais e comenta o apoio do PCdoB a Rodrigo Maia na disputa à presidência da Câmara dos Deputados. 

Ele aponta que o Judiciário brasileiro "ultrapassou algumas barreiras que são imprescindíveis para a manutenção da sua imagem". "Ocorreu uma hipermidiatização da civilização do espetáculo. Em muitos sentidos, as decisões judiciais começaram a obedecer a lógica própria de outros poderes e não propriamente o cumprimento estrito da lei e legalidade", critica. 

"Não podemos ter juízes que são comentaristas políticos e que expõe posições partidárias. Deve existir um distanciamento. Podemos ter um momento de anomia pela sociedade brasileira, isso é muito grave", acrescenta. 

"Moro está constrangido" 

Flávio Dino considera que ocorreu "um constrangimento" por parte do atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, após os esquemas escusos envolvendo o clã Bolsonaro serem revelados. Para agravar mais ainda o quadro, o Supremo Tribunal Federal suspendeu nesta quinta-feira (17) as investigações que apuravam movimentações financeiras suspeitas envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), a pedido do próprio filho de Bolsonaro, que apelou para o foro privilegiado que sempre se disse contra.

"Eu tenho impressão que, nessa madrugada, Moro ficou olhando para o teto pensando em como voltar para Curitiba. Afinal, ele construiu uma imagem de combatente e inflexível no combate à corrupção", ironiza Dino, que ficou em primeiro lugar no concurso para juiz de primeira instância que teve Sérgio Moro como um dos aprovados, em 13º. 

Eleição na Câmara 

Dino justificou, na entrevista, o apoio declarado do PCdoB à candidatura de Rodrigo Maia a presidente da Câmara, mesmo o deputado tendo se aliado ao PSL de Bolsonaro.

Ele argumenta que Maia, enquanto presidente nos últimos anos, garantiu o funcionamento institucional da Casa, com espaço para a oposição, ao contrário de Eduardo Cunha, seu antecessor, que sabotava inúmeras votações para beneficiar seu grupo político.

"A esquerda precisa ter uma posição de amplitude com o chamado centro político", defende. "De que adianta eu ter uma candidatura apenas para marcar posição e que receba 100 votos? Sabe o que eu faço com 100 votos na Câmara? Perco todas as votações", complementa.

Armamento beneficiará ricos 

O governador criticou o decreto assinado por Bolsonaro que flexibiliza o acesso da população às armas de fogo. Ele salienta que a medida "tem alguns problemas graves" e que vai beneficiar apenas os ricos. "90% da população brasileira não vai ter 4 mil reais para adquirir uma arma". Ele ainda alerta que aumentar a circulação de armas "é um retrocesso para o estatuto do desarmamento", que desacelerou o crescimento de homicídios no País. 

O Estado do Maranhão segue na contramão da proposta do armamento. Desde 2016, Dino implantou medida que garante premiação para policiais civis e militares que apreendem armas em situação irregular. Ou seja, enquanto o governo de Jair Bolsonaro libera a posse de até quatro armas por cidadão, o governador mostra que política pública de segurança é retirar as armas de circulação. Com ajuda dessa e de outras medidas, Dino tirou a capital São Luís da lista das 50 maiores cidades mais violentas do mundo, hoje a única capital do Nordeste ausente do ranking.

Educação

Bem-sucedido também com índices na Educação (o Maranhão é o estado que melhor paga o professor), o governador comenta a respeito das fake news disparadas durante a campanha eleitoral sobre a farsa da "ideologia de gênero", que, de forma caluniosa, acusava professores de ensinarem crianças a fazerem sexo. "Isso é um absurdo, uma violência inominável. Eu quero repudiar veementemente todos os irresponsáveis que estão agredindo os professores do Brasil", critica.

Clique e assista a entrevista:

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