Reverendo mentiu na CPI: aparece carta que prova negociação entre sua ONG e municípios do Acre


247 - O reverendo Amilton Gomes mentiu na CPI da Covid no Senado. E-mails obtidos pela CNN Brasil mostram que, ao contrário da versão que apresentou à comissão, o intermediador de vacinas negociou com municípios.

Em correspondência à Associação de Municípios do Acre (Amac), o reverendo diz que enviaria informações sobre a venda de doses da vacina da AstraZeneca. O e-mail, de fevereiro deste ano, é assinado por Gomes.

Em março, a Amac oficializou a intenção de compras de vacinas da Janssen. A mensagem foi enviada à Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários, ONG dirigida pelo reverendo, e a Cristiano Carvalho, representante da Davati Medical Supply. Nela, Cristiano oferece novamente a vacina da AstraZeneca.

Carvalho reconheceu a autenticidade das mensagens. Ele esclareceu, no entanto, que o negócio não foi fechado. Segundo ele, esta não foi a única tratativa com municípios.

Mais cedo, ao ser questionado pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), o reverendo afirmou: “Senador, eu desconheço essa amplitude onde nós chegamos, com governadores, com prefeitos, com prefeituras. Eu desconheço. Eu não conversei com nenhum governador, nenhum prefeito”.

Ana Marcela Cunha leva medalha inédita para o Brasil: ouro na maratona aquática

247 - A nadadora Ana Marcela Cunha, de 29 anos, fez o Brasil conquistar mais um feito inédito na Olimpíada de Tóquio nesta terça-feira (3), ao vencer a maratona aquática. A atleta baiana fez história ao conquistar o ouro depois de quatro ciclos olímpicos.

A conquista da manhã desta quarta-feira em Tóquio (noite de terça no Brasil) foi na disputa dos 10km no Odaiba Marine Park com o tempo de 1h59min30s08. Ana Marcela é dona de 11 medalhas em campeonatos mundiais.

A holandesa Sharon van Rouwendaal, ouro na Rio 2016, levou a medalha de prata. O bronze terminou nas mãos da australiana Kareena Lee.

Foi a segunda medalha do País em provas de maratona aquática em Olimpíadas desde que o evento foi incluído nos Jogos, em Pequim 2008. Em 2016, Poliana Okimoto havia levado o bronze no Rio de Janeiro.

Em noite histórica, TSE finalmente reage contra ataques à democracia


Por Kennedy Alencar/UOL

Finalmente alguém reagiu à altura contra os ataques do presidente Jair Bolsonaro à democracia. O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, foi além das palavras. Tomou duas atitudes concretas contra o presidente da República, numa resposta que já deveria ter sido dada faz tempo. Mas antes tarde do que nunca.

Barroso aprovou por unanimidade no TSE a abertura de inquérito administrativo a fim de investigar ataques às eleições feitos por Bolsonaro. Também por unanimidade, Barroso obteve o aval dos colegas para pedir que a famosa live de Bolsonaro na semana passada integre as investigações do inquérito das fake news que tramita no Supremo Tribunal Federal.

Diferentemente das palavras mornas de Luiz Fux, presidente do STF, Barroso rebateu com energia os ataques de Bolsonaro a ele e à urna eletrônica. Em resumo, o presidente do TSE tomou, pela primeira vez, medidas concretas para responsabilizar Bolsonaro por espalhar fake news e enfraquecer a confiança no sistema eleitoral.

"Nos Estados Unidos, por exemplo, insuflados pelo presidente derrotado, 50% dos republicanos acreditam que a inequívoca vitória do presidente [Joe] Biden foi fraudada. Essas narrativas, fundadas na mentira e em teorias conspiratórias, destinam-se precisamente a pavimentar o caminho da quebra da legalidade constitucional", discursou Barroso, fazendo um paralelo entre Bolsonaro e o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

Barroso disse que se tratava de "fantasia" a teoria conspiratória de que seria preciso recriar o voto impresso para o Brasil ter eleições limpas. O presidente do TSE elencou argumentos que mostram a confiabilidade da urna eletrônica e foi ao ponto quando mencionou a manobra golpista de Bolsonaro.

A exemplo de Trump, o presidente brasileiro difunde a teoria conspiratória de que a urna eletrônica permitiria a fraudes porque sabe que vai perder a eleição e tenta alguma justificativa para eventual golpe. "Voto impresso não é contenção adequada para o golpismo", afirmou Barroso.

As omissões de autoridades como o procurador-geral da República, Augusto Aras, e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), são um exemplo de como as democracias morrem. Só com medidas concretas, como as adotadas pelo TSE, será possível preservar a democracia no Brasil. A noite desta segunda-feira é histórica. A Justiça começou a impor limites aos inúmeros crimes de Bolsonaro contra a democracia.